O que era para ser apenas mais um passeio do professor de teatro e produtor artístico George Sada, de 57 anos, com suas duas cachorrinhas, acabou virando caso de polícia. Na última sexta-feira (31), Sada e as duas shih tzus Dora e Maria Olívia, de 7 anos e 12 anos, respectivamente, passeavam pela praça Nossa Senhora de Salete, no Centro Cívico, quando uma das cadelinhas começou a espumar pela boca. “Quando eu vi aquilo, logo pensei: deve ser envenenamento! Vi a outra lambendo o chão e logo coloquei as duas no carro, direto para a clínica veterinária”, relembra o tutor dos pets.

LEIA TAMBÉM Polícia busca homem que comia e servia carne de cachorro para vizinhos em Curitiba

Ao chegar no veterinário, o diagnóstico constatou: forte intoxicação por envenenamento. As duas cadelinhas foram medicadas e ficaram na clínica em observação por um dia. “A minha sorte foi que eu agi rápido e levei as duas logo para a clínica, não esperei o quadro se prolongar”, conta o professor. Felizmente, as duas cadelinhas passam bem. 

Wagner Bueno, o veterinário que atendeu as duas cadelinhas, explicou que rapidez do tutor ao encaminhar os animais para a clínica foi imprescindível. “Elas tinham salivação, vômito, palidez nas mucosas e algumas alterações neurológicas. Como ele as levou imediatamente, iniciamos o tratamento precocemente. Às vezes, a demora em levar ao veterinário pode fazer a diferente entre o paciente ficar bem ou morrer”, salientou o veterinário.

Com as duas quatro patas recuperadas, Sada segue mantendo o passeio diário, mas com muito receio. A possibilidade de que as duas cachorrinhas venham morrer envenenadas amedronta o tutor. “Estamos vivendo num período de isolamento, em que nossos bichinhos são tudo para a gente. Quando eu pensei que poderia perder as duas a qualquer momento, uma cratera se abriu”, desabafa. Com medo, Sada passeia com elas apenas pela vizinhança e atento a qualquer comportamento suspeito das duas. Para ele, os passeios na praça vão demorar a acontecer novamente. 

Além do caso das cadelinhas do produtor artístico, uma série de mensagens passaram a ser divulgadas nas redes sociais. Frequentadores da Praça Nossa Senhora de Salete e também do Parcão, ao lado do Museu Oscar Niemeyer e dos arredores do Passeio Público, também relataram supostas situações de envenenamento de cães. Sobre os casos, o delegado titular da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, Matheus Laiola, disse que a situação está sendo investigada. Até o momento, não há informações sobre quem poderia ter espalhado veneno nos locais.

Diante das situações de envenenamento, o professor George Sada se sente impotente. “A gente se torna inseguro porque existe a impunidade, a gente não tem força para se defender. Não há uma lei para punir quem faz isso. Quando você tem um comportamento social que permite a agressão e assassinato de animais, a tua voz pode ser ativa, mas não se propaga. As pessoas precisam ser respeitadas por amar seus bichos”, finaliza.

Foto: reprodução / Facebook.

O que fazer?

Ao passear com o cachorro, o tutor precisa estar atento a qualquer sinal ou comportamento diferente do animal. De acordo com a veterinária Bettina Arendt Goldenbaum, um caso de envenenamento pode apresentar diferentes reações. “Tudo vai depender do tipo do veneno. Tem alguns que causam reações neurológicas, o cachorro vai ficar cambaleante, vai ter convulsões, as pupilas se dilatam. Outra possibilidade é hemorragia, vômito com sangue, diarreia com sangue, ou outros casos de alta salivação”, explica a especialista.

O ideal é que, ao notar qualquer comportamento diferente, o cachorro seja levado ao veterinário o mais rápido possível. “O animal pode ter se intoxicado ao ingerir alguma coisa ou também por inalação. O que pode ser feito é se, ao notar algo diferente na boca do cachorro, tirar imediatamente”, orienta a profissional. Dar água animal, leite, ou mesmo induzir o vômito, pode não resolver.

Uma alternativa para retardar a absorção do veneno pelo animal é dar ao cachorro carvão ativado diluído na água. “A toxina vai grudar no carvão e pode dificultar a absorção do veneno”, sugere. 

A veterinária alerta ainda para o início dos sintomas. Caso o tutor não perceba que o cachorro tenha ingerido algo nocivo, os primeiros sintomas começam a aparecer após meia hora do contato com a substância tóxica. A especialista, no entanto, pondera: “tudo depende da quantidade de veneno ingerido, do tipo de intoxicação e do porte do animal”. O mais importante é, sempre que notar algo diferente, levar o cachorro ou mais rápido possível ao veterinário.