Um sacoleiro de 44 anos foi morto a golpes de facão dentro de casa, no início da manhã desta quarta-feira (29), em Pinhais. Josiane Ferreira Cortes, 21 anos, que trabalhava como diarista para ele, e o irmão dela, de 17, foram pegos em flagrante pela Polícia Militar minutos depois de cometerem o crime, levando sacolas com produtos que a vítima trazia do Paraguai para vender.

A residência fica na Rua Euclides da Cunha Ribas, no bairro Atuba. Moradores da casa que fica nos fundos ouviram gritos de socorro e chamaram a polícia por volta das 6h. Assim que os policiais chegaram no local, encontraram Waldecir Gomes Machado, 44 anos, morto na sala da casa.

Ele foi degolado e atingido por vários golpes de facão pelo corpo. Toda a residência ficou revirada e manchada de sangue, indicando que Waldecir lutou com o assassino para tentar evitar sua morte. O adolescente e a irmã também ficaram com as roupas sujas de sangue, e carregavam as sacolas com as mercadorias que eram vendidas pela vítima, avaliadas em 300 dólares, quando foram flagrados pela polícia, ainda dentro do terreno. Ela foi presa e o irmão apreendido, ambos acusados de latrocínio.

Assédio

As vizinhas de Waldecir contaram para a polícia que ele morava no local há sete anos e nunca insinuou-se para elas. Ele sempre foi muito prestativo e ajudava a todos. De acordo com elas, Josiane frequentava a casa da vítima além do horário do serviço para a limpeza, e já foi vista dormindo com ele.

Josiane, entretanto, relatou aos policiais que apenas trabalhava como diarista para Waldecir e passou a ser assediada no ano passado. Ela parou de ir até o local, e garante que começou a receber ameaças. “Ele me ligou dizendo que se eu não fosse até a casa dele para conversar e lhe dar uma chance, ele contaria para o meu marido que a gente ficou. Só que a gente nunca ficou, ele só queria acabar com o meu casamento”, afirma Josiane.

Ela então chamou o irmão para fazer companhia, e o garoto já saiu de casa com o facão de 46 centímetros de lâmina escondido dentro de um guarda-chuvas. Vizinhos contaram que ela disse para o marido que iria ao médico com o garoto, para poder ir até a residência de Waldecir sem que ele desconfiasse.

A diarista colocou toda a culpa do crime no irmão. “Quando a gente chegou, ele me puxou pelo braço para o quarto. Ele só queria conversar, mas o meu irmão foi para cima dele. Eu não consegui separar os dois. Depois ele é que teve a idéia de pegar as mercadorias, eu só ajudei a carregar”, conta.

O garoto feriu a mão no meio da briga com Waldecir. Ele foi socorrido por uma equipe do Siate e encaminhado para o Hospital Cajuru para ser medicado, sob escolta, antes de ser levado para a delegacia.