A artista Efigênia Rolim, conhecida como a ‘Rainha do Papel de Bala’, morreu aos 94 anos, na madrugada deste sábado (28/03), em Curitiba, de causas naturais. Reconhecida por criar arte utilizando papel de bala como matéria-prima, além de outros itens recicláveis, ela viveu os últimos anos no Asilo São Vicente de Paulo, localizado no bairro Juvevê.
Alma de artista, Efigênia nunca parou de exercitar a imaginação e criatividade. A presença dela era comum na feirinha do Largo da Ordem, onde mostrava as obras. Quando começou a morar no asilo, ela passou a desenhar em caderninhos e, aos poucos, folhas brancas ganharam personagens animados que combinavam com as poesias e histórias que ela criava para cada desenho.
A Rainha do Papel de Bala colecionou muita história. Ela nasceu em 1931, no município de Abre Campo, em Minas Gerais. Em 1965 se mudou para o norte do Paraná. Já em 1971 chegou a Curitiba. Em 1991, aos 60 anos, participou da primeira exposição de arte. Depois disso esteve presente em muitas outras mostras, além de ter lançado livros e participado de desfiles de moda, filmes e congressos.
>>> Em 2024, a Tribuna do Paraná contou um pouco da história de Efigênia. Leia o material.
Efigênia descobriu um novo mundo ao encontrar um papel de bala
A porta de entrada da artesã no mundo da arte foi um papel de bala. Nos anos 1990, durante uma caminhada pelo Centro de Curitiba, ela viu um pequeno objeto verde e brilhante no chão. Surpresa, Efigênia achou que era uma pedra preciosa, uma joia. Mais tarde ela descobriu que tinha achado algo melhor ainda: um novo propósito de vida.
“Mas é papel de bala, achei que era joia. No meu mundo imaginário eu pensei: se fosse uma joia você ia usar ou ia vender. Eu ouvi uma palavra muito séria para nós desse planeta. Nós somos um mísero caído que perdeu o recheio e perambula pela rua. Naquele momento, no meu pensamento e no meu coração, alguma coisa falou ‘olha quanto mísero caído’”, contou em entrevista à Tribuna.




Em 2013, virou Cidadã Honorária de Curitiba. Craque em criar poesias rapidamente, Efigênia deixa um legado de simplicidade, criatividade, superação e sustentabilidade. “A maior felicidade é saber ser feliz. Felicidade não é voar alto, é ter onde pousar”, diz trecho de poesia da artista.
Velório de Efigênia Rolim
O velório será na Sala Ônix da Capela Vaticano, com início às 20h30 e encerramento às 9 horas deste domingo (29/03).



