Funcionários e donos de bancas de jornal e revistas do centro de Curitiba estão apavorados com a quantidade de arrombamentos. Nos últimos três meses, todos eles já perderam as contas de quantos locais foram alvos da ação dos bandidos e tem gente que até já pensa em se mudar de cidade.

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Na semana passada, depois de duas tentativas de arrombamento, em menos de um mês, a banca de jornais e revistas na Rua Marechal Deodoro, em frente à agência dos Correios, foi arrombada por pelo menos nove pessoas. Os ladrões levaram cigarros, chips de celulares, isqueiros e outras mercadorias. O prejuízo foi de R$ 6 mil.

Madrugada

Segundo os funcionários, a ação começou por volta das 2h e terminou só depois das 4h30 de sexta-feira. “Primeiro veio um grupo, arrancou a tampa do bueiro que fica em frente à banca e usou-a para quebrar os cadeados”, disse uma funcionária. Mendigos que dormem na rua aproveitaram e terminaram de fazer a limpa na banca. “Eles levaram até doces”, contou.

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Toda a ação foi registrada por câmeras de segurança de um prédio. As imagens foram passadas para a Polícia Civil, que procura pelos suspeitos dos crimes.

Antônio conta o prejuízo e pensa em voltar pro Ceará. Foto: Aliocha Maurício

Três vezes em um só mês

O arrombamento a banca da Rua Marechal Deodoro foi só mais um. Em menos de uma hora pelo Centro, mais três contaram que tiveram suas bancas violadas. José Iranes, 27 anos, instalado na esquina das ruas Barão do Rio Branco e José Loureiro, disse que só no mês passado teve o local violado três vezes. “Eles só não conseguiram levar nada porque montamos uma verdadeira barreira para os arrombamentos”.

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Segundo José, em seis anos, foram 14 tentativas de arrombamento e, destas, nove foram registradas na Polícia Civil.
A poucas quadras da banca de José, na esquina da André de Barros, o cearense Antônio Janiel de Araújo Citó, 22 anos, já pensa em voltar para a casa. Foram dois arrombamentos e um assalto em três meses. “Já gastamos tudo o que temos e não sabemos mais o que fazer para evitar que isso aconteça. Está cada vez pior e a nossa opção vai ser ir embora”, lamentou.

Contabilidade

A banca de Antônio – que veio de Tauá (CE) – foi arrombada pela primeira vez em 13 de junho. Ele e a esposa trabalham juntos. A segunda ação foi no dia 29 e, nesse período, foram assaltados.

O prejuízo total, contando com a manutenção da banca nos dois arrombamentos, foi de pouco mais de R$ 3 mil. Sem condições de melhorar a segurança da banca, Antônio teme que a única opção seja, realmente, voltar para a cidade natal.

Bancas são vulneráveis.

Localização facilita os crimes

Segundo o delegado Rubens Recalcatti, titular da Divisão de Crimes contra o Patrimônio, o problema está na região central. Os bandidos escolhem as bancas porque são locais de fácil acesso e que geralmente ficam em espaços abertos.

Depois dos constantes arrombamentos, Recalcatti determinou aos investigadores da Delegacia de Furtos e Roubos (DFR), que trabalhem a fundo na busca pelos suspeitos.

Suspeitas

“O que a gente pode no momento é confirmar que, entre os suspeitos, estão moradores de rua, pois conseguimos vê-los através de câmeras de segurança”, explicou o delegado.

Os arrombamentos, conforme o delegado, têm hora certa ,para acontecer: das 3h às 6h30.

Em junho, pelo menos seis bancas foram arrombadas na região central, mas este número pode ser maior, segundo Recalcatti. Isso porque a Polícia Civil não possui levantamento específico e os furtos a bancas aparecem no comércio geral.

José investe em segurança. Foto: Aliocha Maurício.

Bandidos “fumantes”

Segundo os banqueiros, maços de cigarros são preferência dos ladrões. “Também levam chips de celular, doces, chocolates, salgadinhos, e o que eles conseguirem levar, porque dinheiro eles nunca encontram”, disse Antônio Citó.

Para tentar escapar dos arrombamentos, cada banqueiro faz o que pode. Na banca da Rua Marechal Deodoro, depois do prejuízo grande, o proprietário instalou porta pantográfica. “Acreditamos que, assim, fique mais difícil. Mas sabemos que, quando eles querem, eles conseguem driblar até a polícia”, disse a funcionária.

Cadeados

A banca de José Iranes talvez nunca foi arrombada, por causa da quantidade de artifícios criados por ele e pela esposa. “Tenho 17 cadeados, quatro câmeras de segurança e seis tetras-chaves”, conta. Além disso, a banca é equipada com alarme. Lá os bandidos não conseguem entrar, mas as marcas das 14 tentativas estão por todos os lados da estrutura.

Comunicação

Para tentar evitar que as bancas sejam violadas, o delegado dá a dica: os proprietários e funcionários devem manter comunicação direta com a Guarda Municipal e com a Polícia Militar. “Peçam para que sejam feitas rondas, pois só a presença firme das forças de segurança nas proximidades destes locais vai diminuir a ação dos bandidos”.

Outra dica do delegado é que os banqueiros conversem entre si. “Talvez se alguns se reunissem e, para reforçar a segurança, contratassem uma empresa de vigilância para fazer monitoramento dos espaços poderia ser mais barato que arcar sempre com o prejuízo”, disse.

É o seguinte!

Isto não é só problema dos donos de bancas de revistas. O comércio em geral é vítima da falta de segurança na cidade. Mas ultimamente, os arrombamentos no Centro são de assustar. No caso das bancas, a desvantagem é que a “loja” tem muito mais que uma frente e, na maioria, as paredes são de vidro.