Trabalhar atrás das grades. Soa estranha essa frase? Não estamos falando de detentos que trabalham para diminuir a pena, mas sim de um empresário, que resolveu tomar tal atitude por estar cansado dos assaltos. Em um ano e meio, foram 23 roubos e muitos funcionários em desespero.

O último assalto foi na semana passada, na Avenida Anita Garibaldi, no Barreirinha, local onde fica um dos seis postos de combustíveis da rede que pertence ao empresário. ‘Os bandidos, fortemente armados, chegaram, renderam todo mundo – inclusive clientes – e levaram R$ 6 mil. Mas antes de ir embora, um deles ainda deu uma coronhada na cabeça da minha esposa, que estava no caixa e sequer esboçou reação‘, contou o homem.

O assalto foi registrado pelas câmeras de segurança da loja de conveniência, que mostram inclusive detalhes dos suspeitos, que tiveram acesso ao caixa, porque no posto do Barreirinha os funcionários ainda não trabalham atrás das grades. Ainda. Em dois dos postos a medida drástica foi adotada e fez com que os assaltos diminuíssem.

A ideia de trabalhar atrás das grades veio depois que o dono dos postos, um homem de 65 anos, foi baleado durante um assalto. Ele chegou a ser internado, mas se recuperou e hoje comanda, junto com a rede junto com a família.

Prejuízo

Nos dois postos, um que fica às margens da Linha Verde, no Bairro Alto, e o outro que fica na Avenida Maringá, em Pinhais, todos os dias após as 18h, a loja de conveniência é fechada pelas grades, mas continua funcionando normalmente até às 23h. Os frentistas ficam sem dinheiro algum do lado de fora e, lá dentro, um funcionário recolhe e recebe os valores sempre que alguém chega para abastecer.

Além do abastecimento, tudo que é vendido na loja de conveniência do posto de combustível também é mantido atrás das grades. ‘Se uma pessoa quer um refrigerante, ela precisa pedir pra quem está lá dentro, pois não deixamos ninguém entrar. É uma escolhae e nós optamos pela nossa própria segurança‘, disse um dos funcionários do posto.

As grades diminuíram a quantidade de assaltos, conforme os funcionários. Em contrapartida, o desfalque também veio na loja de conveniência. ‘Ninguém quer pedir o que vai comprar. As pessoas gostam de escolher, de olhar o que vão levar. Mas infelizmente nós não temos outra opção‘.

Sem saber o que fazer, com os 23 boletins de ocorrência em mãos, o empresário pensa em implantar as grades mos outros postos. Ele também já chegou a estudar uma forma de oferecer recompensa para quem der informações sobre os suspeitos dos roubos aos policiais da Delegacia de Furtos e Roubos (DFR).

Confira o vídeo com momento de um dos assaltos.

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