A demissão de professores e coordenadores de cursos da Universidade Positivo (UP) na última semana deixou um clima de apreensão e incerteza no ambiente acadêmico. O número de demissões não foi divulgado. A Cruzeiro do Sul Educacional, grupo que ano passado comprou a UP, dispensou por chamada de vídeo os educadores alegando que não teria necessidade de mantê-los pois alguns cursos passarão a ter aulas por Educação a Distância (EAD).

O Sindicato dos Professores do Ensino Superior de Curitiba e Região Metropolitana (Sinpes) vai se reunir nesta segunda-feira (6) para buscar uma solução aos professores. O Sinpes não descarta uma ação coletiva na Justiça para ter o retorno dos professores nas salas de aula.

Solange Fernandes, professora do curso de Serviço Social, foi uma das vítimas do corte da semana passada. Uma das responsáveis por implementar o curso na Universidade Positivo, ela já estava sofrendo com a redução salarial com a diminuição da carga horária. No entanto, não esperava esta decisão mais radical por parte da UP.

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“Eu recebia R$ 2.400 por mês e caiu para R$ 1.040, sem eu ser avisada desta redução. A coordenadora foi demitida antes e quando recebi a ligação deles, imaginei que seria a próxima. O responsável foi até educado, pois passou o dia inteiro demitindo pessoas”, relata Solange. “Ele falou que a Cruzeiro do Sul estava tomando algumas medidas e que eu não fazia mais parte do quadro de colaborador. Na hora, pensei nos alunos que também serão afetados. Fiquei muito abalada, pois construímos tudo”, finaliza Solange, que também é professora da Pontificia Universidade Católica (PUC-PR).

Segundo o Sinpes, além das demissões, as horas de trabalho dos professores têm sido cortadas pela Cruzeiro do Sul, que suspendeu inclusive projetos de extensão e de ensino como forma de economia que gira em torno de R$ 3 milhões por mês, grande parte advinda da folha de pagamento. Outras denúncias seriam o não pagamento de direitos como o adicional noturno e reformulações das matrizes curriculares para diminuir a carga horária.

“Tudo isso é um tiro no pé. Essa ganância a curta prazo destrói trabalho de anos e é muita mesquinharia. Faremos uma reunião para entender melhor os problemas e vamos orientar os professores a buscar seus direitos, seja em uma ação individual ou coletiva. Infelizmente, não existe uma rescisão contratual dentro do sindicato, ou seja, o professor coloca a cabeça e o empregador, a guilhotina”, comenta o presidente do Sinpes, Valdyr Perrini,

Centro acadêmico cobra

As demissões também geraram revolta entre os universitários da UP. O Centro Acadêmico de Ciências Biológicas (CacBio) divulgou um texto nas redes sociais criticando a demissão da coordenadora do curso, a professora Ana Meyer, que ministrava aula em três disciplinas.

“A demissão foi abusiva e sem nenhuma justificativa. O que caracterizaria a demissão por parte da reitoria de uma professora com tal nível de reconhecimento e qualificação, ainda mais em um momento de pandemia, em pleno ano letivo, em que os alunos não tiveram nem suas avaliações do segundo bimestre corrigidas?”, questiona nota do CacBio.

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“Os estudantes do curso de Ciências Biológicas da Universidade Positivo repudiam a demissão da professora Ana Meyer. Por isso, exigimos explicações da Reitoria da Universidade Positivo sobre a demissão da professora”, cobra o texto do centro acadêmico.

Fala Positivo

Em nota, a Universidade Positivo informa que os recentes desligamentos fazem parte da rotatividade normal de funcionários. A instituição reforça que valoriza os profissionais que já fizeram ou ainda fazem parte de seu corpo docente, pois eles são essenciais para cumprir o objetivo de oferecer uma educação de excelência.


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