Debate

Debate na Câmara de Curitiba termina em acusação de xenofobia

Delegada Tathiana foi acusada de xenofobia pela colega Vanda de Assis. Foto: Reprodução / Youtube Câmara

A sessão ordinária desta quarta-feira (05) na Câmara Municipal de Curitiba foi marcada por uma discussão que terminou em acusação de xenofobia entre parlamentares. O bate-boca ocorreu durante o debate de um projeto de lei voltado ao cadastro de pessoas em situação de rua de autoria de João Bettega (PL).

A vereadora Vanda de Assis (PT) foi a primeira a pedir para participar da discussão sobre a proposta. “Temos que conversar sobre garantia de direitos, papel da FAS, prefeito e também do vereador. Já é atribuição da FAS fazer esse cadastro das pessoas em situação de rua. A pergunta é: precisa o vereador, sabendo a competência da FAS, criar um projeto para vir dizer o que eles precisam fazer? Estão se utilizando desse problema”.

Também criticou o posicionamento feito pela Delegada Tathiana (PL), que pediu um aparte na fala do autor do projeto. Ao término de sua fala, concedeu a palavra à Delegada Tathiana, questionando a cidade de origem de Vanda de Assis (nascida em Campo Sales, no Ceará).

Ao obter a resposta, replicou: “Se a senhora gosta tanto de proteger, se a senhora gosta tanto de elogiar o PT, a atuação do PT, dos partidos correlatos ao PT, por que a senhora não volta para o Ceará? Por que a senhora veio para cá?”.

Veja o vídeo:

A declaração gerou reação imediata no plenário. O vereador Leonidas Dias, que conduzia a sessão, retirou o direito de palavra de Delegada Tathiana. Vanda de Assis questionou a fala da colega, dizendo que ela configurava discriminação por origem regional (xenofobia).

Por fim, o debate migrou pra discussão da polarização política brasileira.

Em nota oficial enviada à reportagem da Tribuna do Paraná, a vereadora Vanda de Assis afirmou que não tratará o episódio como uma mera divergência política e confirmou que acionará a Justiça. “Hoje eu vim trabalhar e tive a infelicidade de ser vítima de xenofobia durante uma sessão da Câmara Municipal de Curitiba. Não vou naturalizar esse episódio. Xenofobia é crime”, declarou.

A parlamentar ressaltou o orgulho de sua origem nordestina e enfatizou a gravidade do ocorrido no espaço institucional: “A imunidade parlamentar não protege contra discursos de ódio e ofensas discriminatórias. Vamos tomar todas as medidas judiciais cabíveis, dentro e fora da Câmara”.

Posição dos envolvidos e do Legislativo

Procurada para se posicionar sobre o ocorrido e sobre a acusação da parlamentar, a assessoria da vereadora Delegada Tathiana informou que emitirá uma nota oficial com seu posicionamento sobre o caso.

Já a Câmara Municipal de Curitiba comunicou que, por enquanto, não vai se manifestar oficialmente sobre o episódio ocorrido em plenário.

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