A produção de lixo orgânico residencial em Curitiba teve queda ao longo dos meses de isolamento social do coronavírus (covid-19). O acúmulo de lixo residencial na capital diminuiu entre janeiro e maio deste ano, em comparação com 2019. E o motivador pode ter sido a crise econômica que se abateu sobre as famílias. Muitas tiveram perda sensível em suas rendas durante este período e tiveram que se reinventar para “sobreviver”.

A alteração na dinâmica das famílias por causa do isolamento social trouxe a necessidade de se trabalhar em casa e no mês de maio a capital apresentou queda de 9,32% na produção de lixo orgânico, em comparação com o mesmo período de 2019.

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Em abril, a queda foi de 10% em relação ao ano anterior. Em março, quando o isolamento social começou, a produção do lixo em casa teve um aumento quase insignificante de 0,8%. Fevereiro teve decréscimo de 1,13% e janeiro de 4,2%. “Com os primeiros casos de coronavírus surgindo no mundo, intensificamos o acompanhamento desses índices”, explicou Edelcio Reis, diretor do setor de Limpeza Pública da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Curitiba.

A perda de renda pode ter sido determinante para que a produção de lixo orgânico das casas diminuísse. Segundo Edelcio, as pessoas estão aproveitando mais os alimentos. “A crise econômica não permite o desperdício. Esse pode ser um ponto importante tanto para a queda na produção como no baixo crescimento em cidades do entorno”, disse.

Outro ponto de queda na produção de lixo orgânico aconteceu graças ao fechamento de bares e restaurantes, que segundo a prefeitura, são potenciais produtores. “Isso também interferiu na queda”, disse o diretor de Limpeza Pública.

Menos lixo nas ruas

Outro tipo de lixo que deixou de ser produzido, e isso tem a ver diretamente com a circulação reduzida de pessoas nas ruas, foi aquele jogado nas ruas. Embora não haja números para embasar uma avaliação técnica, foi a clara percepção da diminuição do descarte de materiais mais leves em locais públicos, como ruas, parques e praças.

Segundo a SMMA, tem se observado menos papéis de bala e similares jogados no chão. Não se pode afirmar que houve mudança de comportamento, já que a redução do lixo em locais públicos tem relação com a menor circulação de pessoas nas ruas. Mas o isolamento social pode servir de incentivo para que muitos repensem o péssimo hábito de jogar lixo em qualquer lugar. Segundo Edelcio, a coleta de resíduos como carteira e bituca de cigarro, papéis de bala e similares diminuiu nos últimos dois meses.

Será preciso, porém, que haja mais conscientização para que as pessoas entendam que isso é um benefício para além da pandemia de coronavírus. “São hábitos simples que podem ser mudados quando a pessoa vai para um local público. Como utilizar a mesma sacolinha de alimentos para armazenar o seu lixo e levar para casa, para depois descartar corretamente”, apontou Reis.

O outro lado

Com esses estabelecimentos fechados, dessa vez entra na discussão o aumento na coleta de lixo reciclável nas residências. A média mensal, em Curitiba, que foi de 1,4 mil toneladas entre janeiro e maio de 2019, passou a ser de 2 mil toneladas em abril (cerca de 42% a mais). Uma das explicações para isso é a maior demanda por pedidos online de comida, com as famílias em casa, o que gera mais embalagens.

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Outra explicação é a menor circulação de catadores neste mês específico. “Muitos são do grupo de risco da covid-19 e não foram para as ruas em abril. Esse comportamento ajuda a contabilizar aumento na coleta de recicláveis da prefeitura”, diz Edélcio.

A SMMA reforça que a coleta de lixo segue sendo feita sem interrupção. A secretaria também informa que o lixo reciclável recolhido fica em quarentena por, no mínimo, 24 horas, até o manuseio ser liberado. A prefeitura também orienta que as famílias realizem a quarentena do lixo reciclável em casa, por 48 horas, antes do descarte.

No Paraná

Ao contrário do que se tem em Curitiba, a Secretaria do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo estima que a produção do lixo residencial dobrou nas últimas semanas no estado. Segundo o engenheiro e coordenador de Projetos Sustentáveis, Charles Carneiro, os restaurantes e comércio em geral pararam de funcionar, mas as pessoas estão produzindo mais lixo em casa. Parece ser uma transferência simples de local. Porém, a situação é mais complexa.

“O agravante é que esses setores compram no atacado e a aquisição da sociedade civil é no varejo. As pessoas em casa geram muito mais material de acondicionamento de produtos, assim como sobras e aquilo que não é aproveitável, aumentando o volume”, explicou.

Cuidados com o lixo

O setor de Limpeza Pública de Curitiba orienta que é preciso atenção com a destinação do lixo neste tempo de pandemia. Segundo a prefeitura, em uma casa onde não há infectados pela covid-19, o lixo pode ser separado normalmente. Em caso um ou mais membros da família infectados, todo o lixo deve ser armazenado no mesmo saco.

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Não importa se é lixo orgânico ou reciclável. Este saco deve ser enchido com apenas dois terços do volume total, ser bem amarrado e, depois, colocado dentro de um segundo saco de lixo. Isso evita que o material possa infectar os trabalhadores da coleta.


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