Guarda Municipal

Chegam antes da viatura e ‘falam’ com a multidão: Curitiba coloca 32 drones na linha de frente do patrulhamento

Nova patrulha da Guarda Municipal passa a contar com 32 novos drones.
Nova patrulha da Guarda Municipal passa a contar com 32 novos drones. Foto: Pedro Ribas / SECOM.

A chegada de 32 novos drones para a Guarda Municipal de Curitiba no final do mês de julho marca o início de uma nova fase em que a tecnologia deixa de ser apenas um recurso de apoio e passa a fazer parte da linha de frente no patrulhamento urbano.

A inovação foi citada pelo secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação de Curitiba Sergio Bento no 11º Congresso Paranaense de Cidades Digitais e Inteligentes, que aconteceu em São José dos Pinhais no início de agosto. Equipados com inteligência artificial, visão térmica e alto-falantes, os drones não apenas expandem o alcance da Guarda Municipal sobre praças, parques e grandes eventos, mas alteram a dinâmica de combate ao crime: inteligência e monitoramento aéreo agora chegam antes da viatura no local da ocorrência.

“Estamos na vanguarda. Os drones são agora os olhos da Guarda no céu, potencializam o nosso poder de guarnição”, comenta o comandante José Carlos Felipus Costa, da Guarda Municipal. Até então, o uso de aeronaves remotamente pilotadas na corporação ocorria de forma pontual, eram usadas para registros fotográficos, monitoramento pontual de grandes eventos ou operações específicas. A nova fase, consolidada pelo Decreto 932, altera essa lógica com os equipamentos diretamente na rotina operacional de rua.

Luzes, visão térmica e olhos no céu

80 guardas municipais foram habilitados para pilotar os novos drones, que serão utilizados em áreas estratégicas do município. A meta da corporação é descentralizar o uso dos equipamentos. Em vez de depender de um grupo isolado que se desloca sob demanda, a intenção é formar pelo menos um piloto habilitado por plantão de serviço nas viaturas de patrulha.

“Vamos utilizar os equipamentos em ocorrências de alto risco. Isso vai permitir um melhor gerenciamento da operação e atenuar o risco do profissional. Temos diferentes tecnologias nos drones, que podem se comunicar com o abordado, com multidões. Temos lanterna, visão térmica. A nossa ideia é cada vez mais explorar os recursos, acessórios. Vamos desvendar esse caminho e aproveitar todo o potencial da ferramenta”, revela o comandante.

Vantagem no apoio tático

Em ocorrências policiais de alta complexidade, como a busca por suspeitos em áreas de mata, acompanhamento de multidões ou checagem de locais de alto risco, a limitação de visão em solo tem sido uma grande dificuldade.

O uso dos drones altera esse problema. Ao chegar a um local de crise, o operador pode elevar a aeronave antes da progressão da equipe a pé ou de viatura. “Em ocorrências de alto risco, a ferramenta permite o gerenciamento da crise sem expor o profissional a um perigo desnecessário. Você passa a ter uma condição privilegiada da visão por altura. Isso atenua o risco do guarda e dá mais precisão à tomada de decisão”, explica Felipus Costa.

Conexão com a Muralha Digital

Um dos pilares da nova operação é a integração com a Muralha Digital, o ecossistema de monitoramento por câmeras da Prefeitura de Curitiba. As imagens captadas pelos drones em tempo real alimentam a Central de Operações da Guarda, permitindo que os analistas cruzem dados de inteligência e orientem outras equipes em solo.

A operação aérea, no entanto, exige rigor regulatório para circular no espaço aéreo urbano. Todas as decolagens são submetidas às normas do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Exceções para decolagem imediata sem plano prévio só ocorrem em situações emergenciais respaldadas por lei, como risco iminente à vida ou perseguição policial.

Para evitar atritos quanto à privacidade da população, a corporação estabeleceu protocolos visíveis: nas ações preventivas em parques e praças, o operador estará devidamente uniformizado e a viatura identificada. Quando o foco for inteligência ou monitoramento discreto, a aeronave operará em altitudes regulamentares que priorizam a visão ampla em detrimento da identificação pessoal indevida.

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