Figura presente nos noticiários por causa da Operação Lava Jato, Newton Ishii, ou melhor, o “Japonês da Federal”, ganhou status de celebridade. A máscara de carnaval com o rosto do chefe de operações da Polícia Federal no Paraná é uma das mais procuradas pelos foliões. A marchinha “ai meu Deus, me dei mal/ Bateu na minha porta o japonês da Federal” já teve quase 500 mil visualizações na internet.

Ishii começou a aparecer na mídia como “papagaio de pirata” durante a escolta de presos importantes da operação, como José Dirceu, João Vaccari e Marcelo Odebrecht. Com tanta repercussão, o responsável pelo transporte de presos e pela carceragem da PF, passou a ser abordado nas ruas para tirar fotos e com frequência tem virado memes nas redes sociais. O último, criado por um site de humor, mostra policial federal como a estrela de um filme de ação.

O assédio à Ishii gera ciúme em alguns colegas e muitas fofocas. Na semana passada, uma revista publicou que ele teria sido afastado da função por conta da fama. A situação foi desmentida pelo próprio agente que compareceu na manhã de quinta-feira, no IML, com os presos da 22º fase a Operação Lava Jato.

Reservado, o Japonês da Federal evita dar entrevistas. “Sem falar já dá tudo isso”, disse ao recusar um pedido pra ser entrevistado.

Polêmicas

Em novembro de 2015, o nome do agente apareceu durante uma gravação feita por Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras e preso na operação, Nestor Cerveró. Na gravação, que foi fundamental para a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), o até então, advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, afirma que Ishii, mencionado como “japonês bonzinho” pode ser um dos responsáveis pelo vazamento da delação premiada do ex-diretor da estatal. À época, a PF declarou confiança no trabalho de Ishii e instaurou um inquérito para apurar o vazamento da delação.

Porém, essa não foi a primeira vez que Ishii esteve envolvido em uma situação polêmica dentro da Polícia Federal. Em 2003, o agente foi preso pela própria PF. Ele e outros policiais estariam envolvidos na facilitação de contrabando em Foz do Iguaçu. Ishii se aposentou em 2003, mas em 2014 foi reintegrado à corporação após uma decisão judicial em que foi inocentado.

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