Uma operação do Ministério Público do Paraná (MPPR), deflagrada na manhã desta segunda-feira (29), apura um suposto esquema de venda de cargos públicos na estrutura do Poder Executivo de Curitiba. Entre os alvos da operação Prática Corrente está o presidente da Câmara Municipal de Curitiba, vereador Tico Kuzma (PSD).

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De acordo com o MPPR, o esquema teria começado logo após a eleição municipal de 2024. A investigação aponta que cargos comissionados no Executivo eram negociados mediante pagamento em dinheiro. Segundo as apurações, cada nomeação custaria, em média, R$ 3 mil, garantindo ao beneficiado a permanência no cargo por cerca de dois anos.

“Ao fazer essas nomeações, ele solicitava das pessoas interessadas em ocupar o cargo um determinado valor, por isso que nós chamamos de venda de cargos na estrutura do Poder Executivo. Após nomeado, haveria a contraprestação ao vereador mensalmente, que entraria nos moldes tradicionais da rachadinha”, explicou a promotora Nicole Pilagallo, durante entrevista coletiva.

Segundo o Ministério Público, a cobrança de repasses mensais ocorreria tanto em cargos da Câmara Municipal quanto em cargos do Poder Executivo. As investigações ocorrem em sigilo.

Operação apreendeu quantias em dinheiro

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As investigações tiveram início há cerca de um ano e meio, após uma denúncia encaminhada ao MPPR. A quantidade de cargos supostamente negociados, o montante arrecadado e a participação de outros envolvidos ainda são alvo de apuração.

Durante a operação, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão e de busca pessoal na Câmara Municipal, no gabinete do vereador e em endereços residenciais. Entre os materiais recolhidos estão celulares, computadores e documentos. Na casa de um dos servidores investigados, os agentes apreenderam R$ 37,5 mil em dinheiro em espécie.

Dinheiro encontrado dentro de cofre em uma da casas alvo do Gaeco. Foto: MPPR

Vereador diz desconhecer motivos da operação

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Em nota enviada à Tribuna do Paraná, Tico Kuzma afirmou que não teve acesso formal aos fatos que motivaram a operação. O parlamentar também declarou que a proximidade do período eleitoral favorece a criação de narrativas para desgastar adversários políticos.

“Estou buscando imediatamente as informações necessárias junto às autoridades competentes para compreender com clareza o teor da investigação. Como presidente da Câmara Municipal de Curitiba, faço questão de reforçar que a instituição permanece à disposição para colaborar com tudo que for necessário, com responsabilidade, transparência e respeito às autoridades”, afirmou. Ele também se pronunciou na tribuna da Câmara.

Também em nota, a Câmara Municipal de Curitiba informou que autorizou o acesso das equipes do Ministério Público às dependências da Casa e que permanece à disposição para colaborar com as investigações. “A instituição prestará os devidos esclarecimentos à população e à imprensa, com transparência e responsabilidade”, conclui o comunicado.

Agentes na frente do gabinete do presidente da Câmara, tico Kuzma. Foto: MPPR