Muitas pessoas que ainda estariam aproveitando ou prestes a curtir viagens compradas com a agência de turismo Interlaken, que anunciou o encerramento das atividades no dia 26 de dezembro, passaram o primeiro dia útil do ano na Delegacia do Consumidor (Delcon) para registrar queixa contra a empresa. De acordo com o delegado Guilherme Rangel, 97 boletins de ocorrência foram registrados até às 17h dessa segunda-feira (04), mas vão passar de 100 até o final do dia.

Segundo o delegado, o prejuízo estimado passa de um milhão de reais, mas ainda existe o agravante dos danos morais e emocionais contra as vítimas. Ele confessa que se comoveu com muitas histórias que ouviu. “Tem um senhor que cuja esposa estava câncer, e ela queria viajar para dar um tempo para a cabeça. Um casal ia comemorar 20 anos de casado fora do país. Outro rapaz ia visitar o irmão no Japão. A gente sabe o esforço que é, a pessoa guarda dinheiro todo mês para poder viajar”, afirmou.

Guilherme acredita que a agência de turismo agiu de má fé com os clientes. “Eles funcionaram até a véspera do Natal vendendo pacotes normalmente. Se já estavam em crise, deveriam ter orientado os consumidores e pedido a recuperação judicial, para reduzir os danos”, comentou. Os dois diretores e três sócios da empresa devem ser intimados a prestar depoimento.

A assessoria do Ministério Público informou que o órgão recebeu mais de 100 reclamações por e-mail e, a partir disso, em breve será instaurado um inquérito civil. De acordo com o MP, o advogado da agência de turismo pediu uma audiência com a instituição para apresentar uma proposta, que ainda não tem data marcada.

Comunicado

Em comunicado divulgado pela Interlaken na página no Facebook, a agência lamentou os prejuízo e transtornos causados a clientes, fornecedores e colaboradores. A empresa estima que aproximadamente 200 pessoas terão dificuldades para viajar, em razão de problemas com hospedagem e/ou passagens aéreas. “Na medida do possível, seguiremos nos empenhando para que as dificuldades dos envolvidos sejam minimizadas”, diz o texto.

O comunicado ressalta ainda que os empresários envolvidos são pessoas idôneas, que residem e que permanecerão em Curitiba, à disposição dos clientes e das autoridades públicas.