Historicamente, vários municípios da Região Metropolitana de Curitiba funcionaram como cidades-dormitório, com moradores dependendo da capital para trabalho e estudo. Indicadores econômicos mais recentes, porém, sugerem que essa realidade começa a mudar em alguns pontos da região. Dados do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) mostram que o número de empregos formais na Região Metropolitana cresceu 20,2% entre 2019 e 2025, passando de 1,25 milhão para 1,51 milhão de vagas.

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Segundo o diretor de Pesquisas do Ipardes, Julio Suzuki, municípios como Fazenda Rio Grande, Quatro Barras, São José dos Pinhais e Campo Largo estão se destacando pela expansão da atividade econômica e pela atração de novos investimentos.

“O estado do Paraná apresenta um contexto de empregos muito favorável e, na Região Metropolitana, podemos destacar municípios que apresentaram crescimento industrial bastante significativo nos últimos anos”, relata.

Para o economista Arthur Cassemiro, doutor em Economia e professor da Universidade Positivo (UP), a Região Metropolitana já não pode ser analisada como um conjunto homogêneo de cidades dependentes da capital.

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Segundo ele, São José dos Pinhais e Araucária deixaram essa condição há anos, impulsionadas pela indústria. Pinhais consolidou uma economia baseada em serviços e indústria leve, enquanto Fazenda Rio Grande vive uma transformação marcada pela chegada de novas empresas e investimentos.

“Cada vez menos esse conceito se aplica às cidades mais próximas de Curitiba. Hoje a região é bastante diversa e algumas cidades passaram a desenvolver seus próprios polos econômicos”, afirma.

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Nos últimos anos, empresas como LG, Horse e Grupo Potencial anunciaram investimentos que somam cerca de R$ 8,9 bilhões na região de Curitiba. Para Cassemiro, a chegada de novas indústrias e centros logísticos vem ampliando a oferta de empregos fora da capital e fortalecendo economias locais.

Nem todas deixaram a dependência da capital

Apesar do avanço observado em parte da Região Metropolitana, os dados mostram que a dependência de Curitiba ainda é significativa em diversos municípios.

Um levantamento da Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep) aponta que cerca de 43,5% dos trabalhadores residentes nos municípios do Núcleo Urbano Central da RMC dependem de empregos localizados em Curitiba.

Entre os municípios com maior dependência estão Almirante Tamandaré, onde 61,3% dos trabalhadores formais residentes trabalham na capital, Campo Magro (60,7%), Fazenda Rio Grande (54,8%), Pinhais (50,4%) e Colombo (50%).

Segundo a Amep, entretanto, o cenário vem mudando gradualmente. “Municípios que desenvolveram estruturas industriais mais robustas e mercados de trabalho locais mais diversificados, como São José dos Pinhais, Araucária e Campo Largo, vêm reduzindo sua dependência em relação a Curitiba desde 2010”, destaca.

A entidade também observa que a integração econômica dentro da própria Região Metropolitana se intensificou nos últimos anos, com aumento dos deslocamentos entre municípios vizinhos e não apenas em direção à capital.

Novos polos de emprego na RMC

Os dados da Amep mostram que alguns municípios já passaram a desempenhar papel de destaque na geração de empregos dentro da própria Região Metropolitana.

São José dos Pinhais, Araucária e Pinhais têm atualmente mais postos formais de trabalho do que trabalhadores formais residentes, o que faz com que essas cidades atraiam diariamente milhares de trabalhadores vindos de outros municípios.

Para a agência, essa dinâmica demonstra que a realidade metropolitana se tornou mais complexa do que a antiga definição de cidade-dormitório. “A expressão pode assumir conotação pejorativa e não representar adequadamente a realidade dos municípios metropolitanos”, afirma a Amep.

A avaliação é compartilhada por Cassemiro. Segundo o economista, o que ocorre atualmente não é uma perda de protagonismo de Curitiba, mas uma redução gradual da distância econômica entre a capital e parte dos municípios vizinhos.

“Curitiba continua sendo o principal centro econômico da região, mas alguns municípios estão conquistando maior capacidade de gerar empregos, atrair investimentos e desenvolver atividades econômicas próprias”, afirma.

Grande Curitiba cada vez mais integrada

Na avaliação do especialista, a tendência é que Curitiba continue concentrando serviços de maior valor agregado, como tecnologia, educação, saúde e gestão empresarial, enquanto parte da expansão industrial e logística siga avançando para municípios do entorno.

O desafio, segundo o economista, será garantir infraestrutura, mobilidade e planejamento capazes de acompanhar esse crescimento.