Um projeto da equipe do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da Secretaria Municipal da Saúde para implantação do Sistema de Alerta de Leptospirose em Curitiba foi um dos cinco trabalhos selecionados na América Latina pela Task Force for Global Health Inc. (TFGH), de um total de 30 inscritos. A companhia é a responsável por operar um programa internacional em epidemiologia e saúde pública e presta serviços técnicos e administrativos em todo o mundo nessa área.

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O objetivo principal do projeto é desenvolver um sistema de alertas antes e depois de enchentes e inundações destinado a repassar informações estratégicas para unidades básicas de saúde e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) 24 Horas. “Quanto mais informações relevantes os profissionais de saúde tiverem, sobre as áreas de risco para a leptospirose, mais estarão mais preparados para identificar e prevenir novos casos da doença”, explica o coordenador do CCZ, Juliano Ribeiro.

No ano passado, Curitiba registrou 114 casos de leptospirose, com 13 óbitos. Além da prevenção, o diagnóstico precoce é a melhor forma de para evitar o agravamento da doença. “O sistema vai permitir que os profissionais de saúde façam um cruzamento dos sintomas do paciente com as informações do seu local de residência e de onde ele passou, para verificar se esteve em alguma região de risco”, exemplifica.

A diretora do Centro de Epidemiologia da Secretaria, Juliane Oliveira, explica que os sintomas da leptospirose são febre repentina, comumente acompanhada de dores de cabeça e nos músculos (inclusive na panturrilha ou “batata da perna”), icterícia (pele amarelada). Alguns casos podem evoluir com maior gravidade, desenvolvendo hemorragias, alterações respiratórias e insuficiência renal que podem levar à morte. Dessa forma, é importante a pessoa que apresente os sintomas procure atendimento médico rapidamente para que sejam realizados os exames laboratoriais para diagnóstico e iniciado o tratamento correto oportunamente.

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Projeto

Para viabilizar a implantação do Sistema de Alerta de Leptospirose, que deve estar pronto no segundo semestre, a equipe do CCZ recebeu da TFGH um financiamento de US$ 7,4 mil – aproximadamente R$ 16,5 mil – destinados à compra de equipamentos, como material de informática e softwares necessários.

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Ribeiro diz que o projeto está sendo desenvolvido por uma equipe de dez profissionais – biólogos, médicos veterinários e agentes de controle de zoonoses –, todos funcionários do CCZ.

A base do projeto parte do mapeamento das áreas de risco para transmissão da leptospirose – levando em consideração critérios como a incidência dos casos da doença nos últimos três anos em Curitiba, áreas sujeitas a alagamentos e enchentes, áreas de ocupação próximas a rios, córregos e com esgoto a céu aberto. Sobrepostos a este mapeamento, por meio de um software específico, estarão os mapas das áreas inundáveis da cidade e dos locais de provável fonte de infecção por leptospirose humana. “Com a leitura desses três mapas, é possível visualizar as áreas críticas da cidade, visualizar as reais condições de risco na transmissão da leptospirose, além de planejar e organizar estratégias de promoção à saúde no combate à doença”, afirma o coordenador do CCZ.