A partir de 2018, o carnaval de Curitiba poderá ser patrocinado por marcas de bebidas alcoólicas. A liberação veio com a aprovação de um projeto que permite esse tipo patrocínio pela Câmera Municipal nesta segunda-feira (7). A modificação na Lei Municipal 14.156/2012, de autoria do vereador Beto Moraes (PSDB), libera a publicidade das marcas e, em contrapartida, obriga a empresa patrocinadora a realizar campanhas educativas para consumo responsável em todo seu material publicitário.

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Esse tipo de propaganda de bebidas pode dar um empurrão ainda maior à festa em Curitiba, que já recebeu atenção da administração municipal para 2018. Após a polêmica redução de recursos, no começo de 2017, que cortou pela metade a verba para as escolas de samba e blocos da cidade, o prefeito Rafael Greca anunciou, na última semana, verba de R$ 1 milhão para o carnaval do próximo ano.

Nos últimos quatro anos, durante a administração de Gustavo Fruet (PDT), o patrocínio de marcas de cerveja foi feito para o pré-carnaval curitibano, por meio de decreto, derivado da proposta do Fórum das Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos.

Até o momento, ainda não há acordo com as marcas, o que será buscado a partir de agora com a aprovação da lei. A segunda votação do projeto está prevista para terça-feira (8). A ideia surgiu com Márcio Marins e outros integrantes do Fórum das Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos de Curitiba e Região Metropolitana, organização que representa entidades participantes do carnaval. Segundo Marins, que coordena o Fórum, as discussões do grupo levaram à criação da hoje conhecida Lei do Carnaval, aprovada em 2012, e que agora foi modificada.

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Mas o texto proposto pela entidade acabou modificado na Câmara Municipal. “Em 2009, o coletivo das Escolas de Samba construiu a lei do carnaval. Acontece que a bancada evangélica exigiu que fosse adicionado ao texto uma questão proibindo o patrocínio de fumígeros e empresas de bebida alcoólica”, esclareceu o carnavalesco.

Beto Moraes (PSDB), vereador autor do projeto de lei, foi o porta-voz do grupo na Câmara. Segundo o legislador, a intenção da lei é auxiliar o lado financeiro do carnaval da cidade, captando dinheiro privado para ajudar a financiar o evento. “Todos sabemos das dificuldades enfrentadas anualmente pelos carnavalescos para angariar recursos para organizar e caracterizar seus blocos e escolas de samba”, disse, em discurso.

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Por isso, Marins acredita que a aprovação desta segunda é uma reparação aos Blocos e Escolas de Samba. “É como você dar uma festa de aniversário e não poder ir na própria festa. Acho que hoje foi feito justiça ao carnaval de Curitiba”.

O vereador compartilha da ideia do grupo do carnaval, e afirma que a aprovação da alteração na lei obriga menor investimento do poder público no evento. “Essa alteração diminuiria a dependência de recursos públicos para a realização do desfile oficial do carnaval, pois os blocos e escolas de samba teriam tempo para angariar patrocinadores, viabilizando a realização do desfile”, afirmou.

Bebidas

Houve apenas duas posições contrárias. De Oscalino do Povo (Pode) e de Noemia Rocha (PMDB). Integrante da bancada evangélica, a vereadora votou contra o projeto. Segundo Noemia, sua resistência é ligada aos projetos que desenvolve, que visam a recuperação de usuários de drogas. “É uma questão de saúde pública. Poderia ter outro projeto, que não fosse envolvendo bebidas. Isso vai contra a minha luta de 30 anos pela recuperação de jovens dependentes químicos”, comentou.

A legisladora reconhece que o patrocínio de marcas de cerveja pode trazer benefícios financeiros, mas acredita ser uma questão de ideologia. “Sou contrária por uma questão ideologia. É uma apologia ao incentivo do consumo de bebida alcoólica, mesmo sendo propaganda, não deixa de fazer uma apologia. O impacto financeiro não muda o meu conceito”.

Marins, porém, acredita que o carnaval não é somente o evento. Ele afirma que o impacto não é considerado de maneira correta quando se trata da economia do setor. “O carnaval gera renda também, forma pessoas como costureiras, eletricistas, carpinteiros. Criaram o mito de que a cidade não gosta do carnaval, mas são mais de 5 mil pessoas que se envolvem na construção, e são quase 30 mil que assistem aos desfiles”, afirmou.