A vida real não é como Hollywood, nem como as novelas. Por isso, o ex-deputado federal Luiz Fernando Ribas Carli Filho não deixou o Tribunal do Júri preso nesta quarta-feira (28) após ser condenado por duplo homicídio depois de causar o acidente que vitimou Gilmar Rafael Yared e Carlos Murilo de Almeida, em 7 de maio de 2009.

“Tradicionalmente quem responde a um processo em liberdade, pode recorrer em liberdade. A defesa vai recorrer e ele terá que se apresentar periodicamente em Guarapuava, seguindo a decisão do juíz”, explicou o advogado Elias Mattar Assad, que representou a família de Gilmar Rafael Yared, à Tribuna do Paraná. Só saem presos do tribunal os réus que já estavam cumprindo alguma medida de restrição de liberdade antes do júri.

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Ao natural os recursos contra a decisão desta quarta-feira devem acontecer, mas se depender da acusação, especificamente dos defensores da família Yared, a pena de 9 anos e 4 meses será mantida. “Eles (a família) poderiam pedir um recurso para aumentar essa pena, mas decidiram que não o farão. Resolveram acatar a decisão da Justiça”, contou.

Mattar Assad disse que a família espera que a punição sirva para que Carli reflita sobre suas atitudes. “O acusado vai ter que passar pela pedagogia da Justiça. O que queremos é que ele melhore com isso, que tenha experiência de vida e que melhore”.

A família comemora, no entanto, a abertura de uma jurisprudência que pode “beneficiar” a família de muitas outras vítimas de crimes de trânsito que buscam justiça. “O dia de hoje muda a concepção o julgamento de casos semelhantes e espero que tenhamos bons exemplos a partir de agora. Que as pessoas reflitam antes de colocar um veículo em movimento”.

 

Ex-deputado Carli Filho é condenado por duplo homicídio pelo Tribunal do Júri