Em troca de mensagens por aplicativo que foi anexada ao inquérito do STF sobre suposta tentativa de interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal, a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) escreveu ao então ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro que Bolsonaro cairia caso Moro deixasse o Planalto.

A conversa data de 23 de abril, véspera do anúncio de demissão do ex-ministro; nela, Zambelli pede que o ex-juiz conversasse com o presidente com o objetivo de garantir sua indicação ao Supremo Tribunal Federal.Na conversa, a parlamentar envia diversas mensagens a Moro, mas recebe poucas respostas.

A troca foi publicada pelo portal G1. Nela, Zambelli afirma que Moro “é muito maior que um cargo”, que “o Brasil depende do sr estar no MJ” e que “Bolsonaro vai cair se o Sr sair”. Na sequência ela pede que o então ministro vá com ela ao Alvorada conversar com o presidente ao que Moro responde: “Já falei com ele hoje” e mais adiante “Prezada, vamos aguardar”.

É nessa mesma conversa que Moro afirma não estar à venda após a deputada pedir que ele aceite a indicação de Alexandre Ramagem para a PF em substituição de Maurício Valeixo. Ainda em 23 de abril, Carla Zambelli escreve a Moro dizendo que está na sede do Ministério da Justiça a pedido do Planalto e pede para conversar por 5 minutos na tentativa de dissuadi-lo de deixar a ministério. Moro responde: “Se o PR [presidente da República] anular o decreto de exoneração, ok”.

Bolsonaro nega pedido de fala

Em transmissão ao vivo feita no Facebook nesta quinta-feira (14), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que uma troca de mensagens entre a deputado federal Carla Zambelli e o ex-ministro Sergio Moro coloca uma “pá de cal” sobre a acusação de suposta interferência dele na Polícia Federal. O presidente afirmou que pediu autorização à parlamentar para mostrar a conversa e, então, leu as mensagens (também foram exibidas no vídeo).

Apesar de Zambelli ter escrito ao então ministro que era o procurava “a pedido do Planalto”, Bolsonaro negou que tenha solicitado a ela que interferisse. “Ela não estava autorizada a falar em meu nome” afirmou, e completa: “talvez algum ministro tenha falado com ela, não fui eu”. O presidente ainda ressaltou um trecho em que Moro afirma que “se o PR [presidente da República] anular o decreto de exoneração, ok”, em alusão à retirada de Maurício Valeixo da direção da Polícia Federal. A respeito da frase, Bolsonaro afirmou: “vamos dizer que eu não tivesse exonerado, dá a entender que não se falaria mais em interferência. Isso aqui mata de vez a história de interferir. Pá de cal em cima e volta tudo à normalidade”, concluiu.

Ainda sobre o inquérito, Bolsonaro afirmou que quem espera um “xeque-mate” contra seu governo vai “cair do cavalo”, em referência aos possíveis impactos da divulgação do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril.


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