“Hoje é o dia da minha morte, porque pra cadeia eu não volto”. Era isso o que Luiz Henrique Dionízio Caetano, de 27 anos, dizia o tempo todo após ser baleado na coxa direita na tarde deste domingo (31) no Centro de Curitiba. Ele foi atingido pelo sargento Joel Vargas, da Polícia Militar, que reagiu ao ser abordado pelo bandido.

“Ele me rendeu com uma faca quando eu estava chegando ao prédio onde moro. Eu fiquei calmo; ele pegou R$ 50 que eu tinha comigo e subimos para o meu apartamento”. Dentro do imóvel, que fica em um edifício na esquina da rua José Loureiro com a alameda Doutor Muricy, o assaltante mostrou interesse por outros objetos. “Ele ficou de olho em uma bicicleta, então eu ofereci mais dinheiro pra que ele não levasse minhas coisas. Eu fingi que ia buscar e ele se distraiu, e foi quando eu consegui pegar a minha arma”.

Ao perceber que estava em apuros, Caetano correu. Desceu do prédio rapidamente e chegou à rua, com o policial no seu encalço. “Aqui na (rua) José Loureiro, ele se deparou com uma viatura, ficou acuado e veio pra cima de mim com a faca. Aí eu atirei”.

Nada disso

Deitado na calçada como quem aproveitava um dia de sol na praia, mas alternando momentos de euforia e de agressividade, Caetano dizia que não rendeu o PM. “Eu pedi R$ 2 pra comprar cachaça só”. Depois, se contradizendo, ele provocava o sargento. “Quando eu te peguei ali atrás você estava morrendo de medo e agora está aí se fazendo de durão”.

Em alguns momentos, ladrão estava nervoso. Em outros, deitava na calçada comos e fosse na praia.

Foto: Átila Alberti

Noia

“Eu sou um nóia e não quero mais aquele inferno”, ele afirmava, se referindo à Penitenciária Central do Estado (PCE). A unidade prisional fica em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. Bêbado, segundo ele próprio, o bandido disse que já cumpriu oito anos de cadeia e que saiu no dia três de julho. “Foi outro cara que fez um assalto e veio conversar comigo e daí sobrou pra mim”, se defendeu.

Em outro momento, ele falou sobre os crimes que já cometeu. “Assalto, tráfico, já fui preso por usar droga também”. O homem contou ainda que tem cinco filhos, mas que a maior parte da família não quer mais contato, e por isso ele vive na rua.

Nervosinho

Enquanto aguardava a chegada do Siate, do Corpo de Bombeiros, Caetano estava bastante agitado. Ofendia quem passava pela rua, gritava palavrões aos policiais. O fotógrafo Átila Alberti, que registrava as imagens, chegou a ser ameaçado de morte. “Uma hora eu saio e eu sei onde você trabalha”, disse o bandido. Em seguida, ele tentou agredir o profissional atirando um telefone celular na direção do seu rosto.

Pouco tempo depois, no entanto, implorava para que o fotógrafo entrasse em contato com a advogada dele. “Por favor, senhor, me ajuda. Se não vai ligar pra ela, pelo menos avisa a minha mãe porque hoje eu vou morrer.”

Mais sorte que juízo

O tiro atravessou a coxa do homem, que gritava de dor enquanto era socorrido pelo Siate, do Corpo de Bombeiros. “Acaba com a minha vida logo, senhor. Me dá um tiro na cara porque minha mãe tem 70 anos e não vai aguentar isso”, ele pedia a cada um dos policiais que atendeu à ocorrência. “Ele deu sorte porque se tivesse acertado a veia femoral, já estava morto”, comentou o soldado Otto.

O dinheiro roubado do sargento da PM foi localizado dentro da cueca do bandido, quando ele já estava na ambulância a caminho do Hospital Cajuru.

Outro roubo?

O celular que ele atirou contra o rosto do fotógrafo Átila Alberti não pertence a Caetano. “A princípio é de um rapaz que iria viajar para Arapoti às 17h30, mas na Rodoviária, nós levantamos que essa pessoa não retirou a passagem, ou seja, não saiu de Curitiba”, e,sclarece um oficial do Serviço de Inteligência do 12º Batalhão da PM. Segundo o militar, equipes estão em contato com a família dessa pessoa para descobrir é uma vítima ou alguém envolvido com o criminoso. “A mãe desse rapaz disse que ele é usuário de drogas, então ainda não sabemos se ele é roubado ou se deu o telefone para pagar alguma dívida com o bandido”.

Ladrão estava armado com faca. Foto: Átila Alberti