O bairro Riviera, menor de Curitiba com apenas 442 habitantes, mantém viva a herança dos imigrantes poloneses que fundaram a região no século 19. Localizado na Regional CIC, o bairro surgiu a partir da Colônia Riviére, fundada em 1876 às margens da antiga estrada do Mato Grosso.
Vicente Ales, de 77 anos, é o morador mais antigo do Riviera. Nascido e criado no bairro, ele relembra os tempos em que sua família cultivava lavouras de feijão, milho e batata, além de produzir queijo artesanal. “A terra é boa, mas agora não planto mais, porque com 77 anos já não tenho mais força”, conta.
Outro ponto de encontro da comunidade é a mercearia de Maria Gertrudes Laskoski, de 72 anos, também moradora de longa data. Às sextas-feiras, ela prepara pratos típicos como quirera com suã de porco e mocotó, mantendo vivas as tradições culinárias locais.
A Capela Nossa Senhora de Fátima, construída há 24 anos pelos próprios moradores, e a Igreja Santo Antônio de Orleans, fundada em 1879, são marcos importantes da religiosidade e história do bairro. A igreja guarda dois sinos doados pelo imperador Dom Pedro II durante sua visita ao Paraná em 1880.
Apesar de manter características interioranas, o Riviera começa a receber novos moradores, alterando gradualmente seu perfil. “Eu acho isso bom, só que tem gente que eu não conheço e antigamente eu conhecia todo mundo”, observa Gertrudes, refletindo sobre as mudanças no bairro que preserva memórias do Brasil Império e da imigração polonesa em Curitiba.



