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Atraso da prefeitura de Curitiba pode fechar empresas de limpeza

A inadimplência da prefeitura com diferentes empresas prestadoras de serviços teve mais um capítulo ontem, quando trabalhadores de quatro empresas de coleta vegetal paralisaram as atividades e, durante a tarde, realizaram um protesto em frente ao prédio administração pública municipal, no Centro Cívico. O motivo principal foi o atraso no salário referente ao mês de outubro, que deveria ser pago na quinta-feira passada.

As empresas Nicons Comércio de Plantas Ltda., Ajardini Paisagismo Ltda., Urbanística Ambiência Ltda.e Ecsam Serviços Ambientais Ltda. admitiram não reunir mais condições financeiras para suportar a falta de previsão de pagamento da Prefeitura, que desde julho não regulariza os valores acertados nos contratos que giram em torno de R$ 3,3 milhões.

Rescisão

Segundo o presidente do Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação de Curitiba (Siemaco), Manasses Oliveira, a crise instalada nas empresas citadas é tamanha que elas cogitam entrar em um acordo para a rescisão do contrato. “Foram meses sem receber da prefeitura e a custa de uma complicação financeira tamanha, já que as prestadoras de serviço chegaram a tomar empréstimos e penhorar caminhões para arcar com a folha de pagamentos, e isso inviabilizou o negócio a ponto de eles não conseguiram pagar o salário de outubro e não saberem o que fazer em novembro com salários mais a primeira parcela do 13.º”, comentou.

Medida cautelar

Para assegurar os recebimentos, o Siemaco atendeu trabalhadores de três das quatros empresas (a Ecsan deve ser atendida hoje) para pedir à Justiça do Trabalho que obrigasse a prefeitura a pagar os valores atrasados em 48 horas. “O Ministério Público do Trabalho já se manifestou a favor do nosso pedido e na terça vamos atender os funcionários da Ecsan para fazer o mesmo pedido”, explicou Oliveira.

400 estão com emprego ameaçado

O roçador Daniel dos Santos, 40 anos, que há mais de três anos trabalha na Ecsan explicou que vários benefícios foram reduzidos desde julho. “Perdemos cesta básica e há 15 dias não temos o café da manhã. Por fim, estamos com o salário atrasado e tudo porque estamos afundando junto com a empresa, que está sem receber da prefeitura”, avaliou.

A expectativa dele é por um final de ano sem demissões. “Nem procurei outro emprego, porque a carteira está com a empresa e quero continuar lá, mas sei que os patrões também não conseguem ficar sem receber por mais tempo”, afirma.

Na mesma situação de Daniel, encontram-se 400 trabalhadores vinculados às quatro empresas que realizam serviços como roçada e manutenção de diversos pontos da cidade, como o horto florestal e o Passeio Público. A paralisação continua hoje. De acordo com o Siemaco, do total de R$ 3,3 milhões, cerca de R$ 2 milhões serão necessários para arcar com a folha de pagamentos e os custos das rescisões trabalhistas.

A prefeitura esclareceu, por nota, que no dia 30 de outubro acordou junto ao MPT-PR que até a próxima quarta-feira apresentaria cronograma de pagamentos. Durante o protesto, o presidente do Siemaco e representantes das empresas foram recebidos pelo secretário do Governo Municipal, Ricardo Mac Donald Ghisi, que reafirmou esse compromisso, mas não entrou no mérito de rever os contratos com as empresas. A prefeitura também enviou ofício ao procurador federal do Trabalho informando sobre a manifestação.

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