Monitoramento

1,6 mil animais morrem por ano em rodovia de Curitiba, revela UFPR

Foto: Nathalie Hausser / UFPR.

O projeto Olha o Bicho, vinculado ao Laboratório de Biodiversidade, Conservação e Ecologia de Animais Silvestres (LABCEAS) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), estima que cerca de 1,6 mil animais morram por ano no entorno de uma rodovia em Curitiba.

O monitoramento foi realizado em um trecho de 5,1 quilômetros nas imediações do Parque Tingui, na região de Santa Felicidade. Ao todo, foram feitas 44 expedições de campo entre março de 2023 e fevereiro de 2025.

As principais vítimas são animais silvestres. No período analisado, foram recolhidas 235 carcaças, incluindo espécies como gambá-de-orelha-preta, tatu-galinha, coruja-buraqueira, teiú e jararaca. Em média, cada carcaça permaneceu na pista por nove dias.

Os anfíbios representaram a maior parcela dos registros (38%), seguidos por mamíferos (29%), aves (22%) e répteis (11%). Sapos do gênero Rhinella, conhecidos como sapos-cururu, foram os mais atingidos, possivelmente por seu menor porte, o que dificulta a visualização pelos motoristas.

Segundo os pesquisadores, os dados reforçam que o atropelamento pode ser uma das principais causas de mortalidade da fauna silvestre em áreas urbanas com fragmentos de vegetação e presença de cursos d’água.

Monitoramento

Em cada saída de campo, ao localizar um animal atropelado, a equipe registrava data, horário e coordenadas geográficas em formulário online padronizado. Também era feita a identificação taxonômica além do registro fotográfico do exemplar e do entorno.

O estudo identificou pontos de maior risco, especialmente próximos a áreas com presença de água, trechos vizinhos a condomínios residenciais, onde o tráfego local é mais intenso, e segmentos com inclinação acentuada, que dificultam a frenagem e reduzem a visibilidade dos animais na pista.

Com a estimativa anual de mortalidade, os pesquisadores defendem a adoção de medidas mitigadoras, como a instalação de passagens aéreas ou subterrâneas para a fauna, cercamentos direcionadores, redutores de velocidade e sinalização específica para alertar motoristas sobre a travessia de animais.

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