A Prefeitura de Curitiba está catalogando e integrando todas as bibliotecas ligadas à rede municipal de ensino. Ao todo, são 60 bibliotecas em escolas, com um acervo de 7 mil exemplares, e outras 45 nos Faróis do Saber, com aproximadamente 2 mil títulos. Por conta desse volume, a catalogação completa só estará concluída no ano que vem, formando a maior rede integrada do país. "Estudantes e pessoas da comunidade em geral vão poder localizar livros para empréstimo ou pesquisa através da internet", afirma a gerente dos Faróis do Saber, Rosane Carvalho Pólli.

Esse projeto não se limita à catalogação eletrônica. A Secretaria de Educação está treinando professores que foram afastados da sala de aula por problemas na voz para atuarem como atendentes nas bibliotecas. E está investindo no acervo. Somente no último ano, a Prefeitura adquiriu uma listagem de 311 títulos para o sistema e substituiu as enciclopédias Barsa, que eram do ano 1995, pela edição atual, em todos os Faróis. "A Secretaria está orientando os professores a estimularem as pesquisas nessas bibliotecas e também orienta os estagiários e atendentes a esgotarem todas as possibilidades de fontes disponíveis", explica Rosane.

Essa orientação tem garantido um bom movimento nas bibliotecas. De janeiro a junho deste ano, os empréstimos chegaram a 210 mil e as pesquisas somaram 325 mil, nos 45 Faróis do Saber – sendo que 10 estão em praças e o restante se encontra junto a escolas da rede municipal. Além do empréstimo de livros, eles possibilitam o acesso à internet e a realização de pesquisas (foram 64.481 horas de utilização durante o mês de maio). Os Faróis também são palco para diversos projetos culturais, voltados à comunidade. Isso, a propósito, foi o que mudou a realidade do Farol Frei Miguel, localizado na Vila Nossa Senhora da Luz.

Ali, a ação de vândalos provocou sucessivos prejuízos, como paredes pichadas e vidros quebrados. Chegaram a roubar 15 computadores, em diferentes oportunidades, conforme relata Rute Ferreira Pulsides, que trabalha no local há sete anos. Com a realização de cursos e eventos abertos à comunidade, como violão, bordado, Hora do Conto, xadrez e origami (técnica japonesa de dobradura de papel), as depredações diminuíram. "O Farol passou a estar mais tempo aberto e a maior permanência dos funcionários criou um vínculo mais forte com a comunidade. A gente passou a ser uma espécie de ouvinte da população, compartilhando os problemas e levando reivindicações à Prefeitura", diz Rute.

O segurança José Rafael dos Santos, 23 anos, acaba de se mudar para o bairro Mercês e uma das primeiras coisas que fez foi a carteirinha no Farol do Saber Machado de Assis. "Ter uma biblioteca perto de casa é uma facilidade enorme. E me surpreendi ao ver que aqui tem internet grátis", afirma. Com segundo grau completo, ele quer fazer uma faculdade e acha que o Farol vai ajudar nos estudos.

Os irmãos César (12) e Ana Carolina Quintana (11), além do sobrenome de poeta, cultivam o gosto pela literatura e costumam fazer suas pesquisas escolares no Farol Machado de Assis. Ele precisou de informações sobre a formação das Cataratas do Iguaçu e encontrou tudo o que precisava. "Também gosto de pesquisar sobre coisas legais, como carros e trens", conta César.

Serviço:
Para fazer a carteirinha de usuário dos Faróis do Saber são necessários os seguintes documentos:

– carteira de identidade, certidão de nascimento ou CPF
– comprovante de residência atualizado