Curitiba vendeu por tanto tempo, e tão bem, a imagem de "capital brasileira do verde" que finalmente foi incorporada ao calendário ambiental internacional. Venceu outras quatro cidades do País para abrigar a 3.ª Reunião das Partes do Protocolo de Cartagena de Biossegurança (MOP-3) e a 8ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-8), que começam amanhã (13) e na próxima segunda-feira, respectivamente.

As duas conferências formam a maior reunião sobre o tema realizada no Brasil desde a ECO-92, no Rio, quando natureza entrou definitivamente no jet set dos encontros promovidos pelas Nações Unidas.

Elas dificilmente serão marcantes como a ECO-92, nem Curitiba tem o charme natural do Rio de Janeiro. A chuva fina e insistente que derruba a temperatura na capital paranaense neste meio de março parece sedimentar a diferença entre o brilho carioca que encantou os estrangeiros e o lusco-fusco curitibano.

Mas isso não significa que a cidade deva ficar para trás em termos de organização. Ruas limpas e arborizadas recebem os participantes das reuniões, assim como um batalhão de quase 5 mil voluntários. O ônibus "ligeirinho" e seu ponto, o "tubo", marcas da cidade, ganharam flores coloridas sobre a lataria cinza. Placas bilíngües, em português e inglês, recebem quem sai do aeroporto. Curitiba parece uma Babilônia moderna. Cursos de capacitação para taxistas, lojistas, funcionários de hotel e membros de forças de segurança tentam transformar a barreira da língua em uma ponte para o entendimento.

"Não fiz o curso, não. Mas acho que vou buscar um bloquinho que eles (a prefeitura) dão para entender esse pessoal que está chegando", diz o taxista Claudio Gomes, em bom e velho português. "Não sei nada de língua estrangeira. Hoje entrou um homem que queria ir para um lugar que eu não entendia qual era. Aí percebi que era o Expo Trade (local onde acontecem as conferências) e levei ele (sic) lá. Aprender um pouquinho desse inglês é bom pro trabalho, né?"