O senador Cristovam Buarque (PT-DF) disse hoje que se não for forçado por um eventual fechamento de questão pelo partido, vai se abster na votação da medida provisória que fixa o salário mínimo em R$ 260. Ele condicionou seu voto a um “choque social” que poderia fazer parte da proposta de reajuste do mínimo encaminhado pelo governo.

Segundo Cristovam, com R$ 6 bilhões, o Executivo distribuiria medicamentos gratuitos para aposentados e pensionistas, implantaria o Fundo de Desenvolvimento do Ensino Básico (Fundeb), aumentaria a bolsa-família para R$ 100, retomaria os compromissos assumidos pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e geraria 1 milhão de empregos com investimentos em saneamento básico para a população carente.

Na votação da MP, prevista para a próxima semana, o senador petista afirma que o Senado corre duplo risco de constrangimento. “Um de aprovar um salário mínimo de R$ 260, o que equivale a mais um pãozinho e meio por dia, e outro de ver a oposição pulando de alegria por aprovar um mínimo de R$ 275, o que equivaleria a mais quatro pãezinhos.”

Buarque propôs que o governo dobre os recursos do Fundo de Combate à Pobreza, hoje estimado em R$ 5,4 bilhões, para que se crie um colchão social capaz de garantir a melhoria da qualidade de vida dos brasileiros mais carentes, independente do valor do salário mínimo.

Ele anunciou que apresentará emenda na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para que o orçamento da União seja priorizado a partir da destinação de recursos para programas sociais de atendimento à população mais pobre.

“Se não houver fechamento de questão pelo meu partido, que me force, por disciplina partidária, a votar o salário mínimo de R$ 260, vou me abster nesta votação”, afirmou o parlamentar. A seu ver, ainda há tempo para o governo federal criar uma série de medidas que permitam ao trabalhador e o aposentado que vivem do salário mínimo terem melhor qualidade de vida.