O ministro da Educação, Cristovam Buarque, saiu hoje em defesa do aumento dos valores do Bolsa-Escola usando argumentos polêmicos sobre o salário mínimo. Diante da possibilidade de o governo conceder o reajuste a apenas um desses indicadores, Buarque enumerou cinco motivos em favor do programa coordenado por seu ministério. Entre eles, o de que o aumento do salário mínimo poderia provocar o desemprego e pressionar o aumento dos preços. Um risco inexistente, disse, no caso do Bolsa-Escola.

?São coisas diferentes. Sabemos que o bolsa-escola é um recurso eficaz para combater a fome?, defendeu o ministro. Ele se valeu de estudos demonstrando que as famílias beneficiadas com o programa gastam boa parte dos recursos na compra de alimentos. ?O que casa muito bem com o programa Fome Zero?, completou.

Buarque afirmou desconhecer qualquer estudo do governo comparando os benefícios de uma eventual concessão de reajuste do salário mínimo ao reajuste do Bolsa-Escola. Segundo ele, sua equipe continuará estudando um percentual adequado para o aumento do benefício. ?Esse estudo foi encomendado pelo presidente e a ele será entregue.? Ao fazer a comparação, Buarque sustentou que a Bolsa-Escola beneficia todas as pessoas que tenham filhos na escola, estejam elas empregadas ou não. Já o salário mínimo, atingiria apenas empregados. Buarque acrescentou que o aumento poderia ser repassado para os preços e serviços e que ainda traria um ônus maior para o Tesouro. ?Com o aumento do salário mínimo, haveria um peso maior sobre a previdência?, justificou.

Por aluno, o programa Bolsa-Escola paga R$ 15,00. A média entregue por família é de R$ 24,00. Buarque argumentou, por fim, que o aumento do salário mínimo poderia provocar o desemprego. ?Nem todos empregadores poderão arcar com o ônus. Muitas pessoas, por exemplo, não vão suportar o aumento e dispensar empregadas domésticas cujo salário seja vinculado ao salário mínimo.?