A nacionalização do gás boliviano deve trazer prejuízo a pequenos empresários mineiros, pois a crise agrava um problema que já existe no Estado. ?O setor vem sofrendo uma diminuição da demanda há algum tempo porque o imposto sobre o produto é maior que em outros estados. Por isso, o preço na bomba é pior e as pessoas não se motivam a converter seus veículos para o uso do gás?, explica o Warley Couto, coordenador do projeto do Sebrae MG Automotivo, que visa aumentar a competitividade das empresas do setor. A iniciativa atende hoje 20 oficinas especializadas em Gás Natural Veicular (GNV) na região metropolitana.

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?Hoje existem cerca de 40 empresas em todo o Estado, mas esse número já chegou a 70?, informa o coordenador do MG Automotivo. Em sua melhor fase, as oficinas chegaram a fazer uma média de 1 1 mil conversões por mês. Atualmente apenas 150 veículos recebem o kit gás mensalmente. A crise também já foi sentida nos postos que, segundo sondagem informal com as empresas, teve diminuição de 35% a 40% no movimento.

?A pior fase veio quando estourou o gasoduto na Bolívia. O receio de faltar gás fez com que muitos consumidores decidissem pela não conversão?, explica Warley Couto.

Dono de oficina mecânica, Faustino Guimarães se diz uma exceção no mercado de conversão dos veículos. ?Só sobrevivi porque mantive outras atividades na oficina?, diz. A empresa chegou a fazer uma média de 40 conversões por mês. Hoje esse número caiu a zero. ?Agora só vendemos o kit gás usado, retirado de veículos de clientes insatisfeitos?, revela.

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O empresário Luiz Carlos Marques, diretor de uma fábrica de compressores e instalações para gás natural em empresas e postos de abastecimento, também está preocupado. ?Tudo depende do governo brasileiro. Se não for exigido o cumprimento dos contratos com a Petrobras, irá afetar os investimentos aqui?, afirma.

Ele explica que o aparato para armazenar e transportar o gás, que fica sob alta pressão, exige investimento alto de empresas que queiram utilizá-lo como fonte energética ou de postos que disponibilizem o combustível a seus clientes. ?Se o preço subir, deixa de valer a pena?, diz Luiz Carlos Marques. Uma estação para abastecimento de veículos, por exemplo, pode custar entre R$ 320 mil e R$ 600 mil. ?Um investimento que só tem retorno em cinco ou seis anos?, observa o empresário.

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A fábrica é a única brasileira no ramo e tem parceria com o Sebrae para capacitar fornecedores mineiros. ?Toda a matéria-prima também é nacional e trabalhamos para que seja mineira?, conta o coordenador do setor de petróleo e gás do Sebrae em Minas, Marcos Paulo Gonçalves. A empresa hoje produz cerca de 70 unidades por ano e tem mais de 150 empregados.

Por outro lado o aumento no preço do gás boliviano pode levar o Brasil a explorar reservas já conhecidas, gerando investimentos aqui. ?No longo prazo, acredito que isso poderá ser positivo para empresas brasileiras, os recursos que a Petrobras deixou na Bolívia poderiam estar aqui?, avalia Marcos Paulo Gonçalves.