O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, hoje obrigatoriamente nas primeiras páginas dos jornais, foi secretário estadual de Turismo no Rio Grande do Sul no governo de Olívio Dutra.

Com essa credencial e a solidariedade de dezenas de secretários estaduais e alguns pesos-pesados do trade turístico, como o então senador tucano e atual vice-governador de Santa Catarina, ademais de ex-prefeito de Camboriú, Leonel Pavan, Zuanazzi emplacou na presidência da Anac na primeira administração do companheiro Lula.

No auge da crise aérea, quando centenas de passageiros dormiam em aeroportos à espera de vôos que nunca saiam ou chegavam no horário, Zuanazzi foi perguntado por um repórter sobre seus conhecimentos técnicos da área. A resposta foi antológica: ?Entendo de turismo, que faz com que os aviões estejam cheios?.

Boa palavra, a do presidente da Anac. De fato, o turismo mundial gera no País uma receita anual aproximada de US$ 4,5 bilhões. Todavia, com o agravamento da crise da aviação nacional, que Zuanazzi parece conhecer pouco, apesar da auto-suficiência da resposta dada ao jornalista, o panorama auspicioso começou a sofrer sérios desvios.

A crise é o reflexo tardio de imenso rol de providências que tanto o governo quanto as próprias empresas do setor fizeram questão de ignorar. Com tantas vítimas a lamentar, as autoridades parecem ter acordado da letargia…