Cresce “fogo amigo” no governo contra política monetária

O modelo econômico que o Banco Central (BC) usa para calcular as projeções de inflação e definir o rumo da taxa de juros está errado e leva o Comitê de Política Monetária (Copom) a alcançar um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) abaixo da meta de 4,5% fixada pelo governo, impedindo uma redução mais rápida dos juros. Essa avaliação está sendo feita por economistas do governo que defendem a retomada da discussão do processo de queda dos juros pela Câmara de Política Econômica, com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo uma fonte envolvida nas discussões, o modelo do BC não reflete o que está acontecendo na economia. ?As ações do Banco Central indicam que eles estavam perseguindo uma inflação abaixo da meta", diz a fonte, ressaltando que o importante, no sistema de metas de inflação, é perseguir o centro da meta para dar previsibilidade aos agentes do mercado financeiro.

?Se o BC não persegue a meta, aumenta a incerteza e nunca se sabe se é inflação de 2,5% ou 6,5%?, afirma a fonte, numa referência ao teto e piso da banda dentro da qual a meta pode ser dada por cumprida. A avaliação é que o problema cambial existente hoje no Brasil torna urgente a mudança do modelo para impedir uma desvalorização mais acentuada do dólar frente ao real. É que o processo de queda lenta da taxa básica, a Selic, influenciado pelo modelo de cálculo das projeções de inflação do BC, acaba atraindo para o País dinheiro de investidores em busca dos altos ganhos proporcionados pelos juros brasileiros.

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