O Credit Suisse revisou sua previsão para a cotação do real diante do dólar no final deste ano de R$ 2,30 para R$ 2,15. Entre os motivos para essa mudança, os estrategistas do banco listam "a isenção do imposto de renda para os investidores que negociarem títulos no mercado doméstico; a previsão de que as ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) e ofertas secundárias vão continuar num patamar elevado ao longo de 2006; a exposição próxima do zero da dívida pública ao dólar; a dinâmica mais favorável do balanço de pagamentos para os próximos quatro anos por causa do programa de recompra da dívida externa do país; a expectativa de um crescimento global mais acelerado neste ano; e o menor risco política da eleição presidencial de outubro".

Apesar de apostar num real forte, o Credit Suisse manteve sua previsão de que o superávit comercial será de US$ 39 bilhões neste ano devido ao crescimento da economia mundial. O banco, no entanto, reduziu sua estimativa de superávit em conta corrente em 2006 para US$ 7,9 bilhões pois acredita que haverá uma elevação nas remessas ao exterior de lucros e dividendos.

"Fluxos menores via a conta corrente deverão ser mais do que compensados por fluxos maiores via a conta de capital", afirmaram os estrategistas do Credit Suisse. "As surpresas positivas virão principalmente do portfólio de investimento estrangeiro. De acordo com nossos cálculos a situação favorável no balanço de pagamentos em 2006 vai permitir ao Banco Central comprar o equivalente a US$ 23 bilhões no mercado spot de câmbio sem pressionar significativamente a taxa cambial." A previsão anterior do Credit Suisse para as compras de dólares do BC em 2006 era de US$ 16 bilhões.

O banco também revisou de US$ 73,3 bilhões para US$ 62,5 bilhões sua previsão para o nível das reservas internacionais do país no final de 2006. "A nossa expectativa é que o BC vai usar parte dos dólares comprados no mercado spot para financiar o programa do governo de recompra da dívida soberana", afirmou.