A Controladoria-Geral da União (CGU) vai colaborar com a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Sanguessugas na investigação sobre o suposto envolvimento de parlamentares com a chamada "máfia das ambulâncias". O acordo foi acertado nesta terça-feira durante encontro do presidente da CPMI, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), com o ministro do Controle e da Transparência, Jorge Hage.
Cópias dos documentos e das provas levantadas pela CGU vão começar a ser entregues à CPMI a partir desta quarta-feira, quando a comissão traçará seu plano de trabalho. Biscaia disse que o material dará grande embasamento à CPMI, pois a Operação Sanguessuga da Polícia Federal, que desbaratou a "máfia das ambulâncias", teve origem exatamente nas investigações da CGU.
"A CGU começou investigando prefeituras, constatou a fraude na liberação de recursos orçamentários e, a partir daí, solicitou a apuração pela Polícia Federal", lembrou Biscaia. "Vamos encaminhar um ofício e toda a documentação será transferida para a CPMI. Já é um início de prova documental muito importante", ressaltou.
Licitações direcionadas
A CGU começou a detectar irregularidades na destinação de emendas orçamentárias para a área de saúde ainda em 2004. Parte das provas contra empresas, políticos e servidores públicos já havia sido encaminhada ao Comitê de Acompanhamento e Fiscalização Orçamentária do Congresso Nacional.
A investigação aponta para direcionamento de licitações, superfaturamento e falsificação de documentos, entre outras fraudes. Na segunda-feira (26), a CPMI já havia conseguido a colaboração da Procuradoria-Geral da República, do Supremo Tribunal Federal e da Polícia Federal, que também investigam o caso. Biscaia anunciou que o número de parlamentares suspeitos de envolvimento com a máfia das ambulâncias pode chegar a 45. Por enquanto, os processos correm sob segredo de Justiça.
A intenção de Biscaia é concluir os trabalhos da CPMI em 60 dias.


