A crise do "mensalão" ainda não produziu um número de políticos punidos superior ao ocorrido com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Anões do Orçamento instalada pelo Congresso em 1993.

Na ocasião, o relator da CPI dos Anões, deputado Roberto Magalhães (PFL-PE), pediu a cassação de 16 deputados, um senador e um suplente de deputado por envolvimentos em irregularidades com verbas orçamentárias. Desses, dez deixaram os mandatos, cassados ou renunciando.

Até agora, antes do resultado do pedido de cassação dos deputados Roberto Brant (PFL-MG) e Professor Luizinho (PT-SP), a CPI dos Correios só cassou dois deputados e provocou a renúncia de outros quatro. Mas ainda existem mais 11 processos na fila.

No saldo da CPI dos Anões, foram cassados cinco deputados – Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), José Geraldo Ribeiro (PMDB-MG), Raquel Cândido (PTB-RO), Carlos Benevides (PMDB-CE) e Fábio Raunheitti (PTB-RJ) – , um suplente – Feres Nades (PTB-RJ) – e quatro outros deputados renunciaram para fugir da punição – João Alves (PPR-BA), Genebaldo Correia (PMDB-BA), Manoel Moreira (PMDB-SP) e Cid Carvalho (PMDB-MA).

Oito parlamentares foram inocentados em votações feitas no plenário: os deputados Ricardo Fiúza (PFL-PE), que morreu em 2005, Paulo Portugal (PP-RJ), João de Deus Antunes (PPR-RS), Ézio Ferreira (PFL-AM), Daniel Silva (PPR-MA) e Aníbal Teixeira (PTB-MG) e o senador Ronaldo Aragão (PMDB-RO).

Dessa vez, a CPI dos Correios produziu a cassação de dois deputados (José Dirceu e Roberto Jefferson) e provocou a renúncia de mais quatro (o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, José Borba, Carlos Rodrigues e Paulo Rocha), mas esse saldo poderá ser maior. No relatório, o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) propôs ainda cassação de outros 11 deputados que terão o destino definido pelo voto dos parlamentares no plenário.

Enquanto a CPI dos Anões foi uma crise restrita ao Parlamento, a CPI dos Correios provocou também uma crise intensa dentro do governo, envolvendo também assessores diretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como ministros e diretores de estatais.

Mais de 40 ocupantes de postos no governo perderam os cargos por conta das denúncias investigadas pela CPI. A crise provocou a queda de figuras importantes como o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, além de diretores dos Correios, da Casa da Moeda, do IRB-Brasil Re, das Centrais Elétricas do Norte do Brasil (Eletronorte), entre outros.

O escândalo também afetou diretamente os presidentes de cinco partidos: José Genoino (PT), Roberto Jefferson (PTB), Eduardo Azeredo (PSDB), Valdemar Costa Netto (PL) e Pedro Correa (PP). Os três primeiros perderam o controle dos partidos. Os dois últimos foram mantidos no cargo, apesar das acusações de envolvimentos em irregularidades.