O depoimento do empresário Marcos Valério na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Compra de Votos, marcado para as 11h30 de hoje (9), foi considerado ontem pelo vice-presidente da Comissão, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), como estratégico para o andamento das investigações.

Pimenta disse esperar que, ao contrário do depoimento anterior à CPI dos Correios, desta vez Marcos Valério conte detalhes sobre o esquema irregular de repasses financeiros a parlamentares. "Quando ele esteve na CPI dos Correios, nada de novo acrescentou. Após o depoimento, esteve na Polícia Federal, no Ministério Público, e prestou uma série de informações. Amanhã será o dia do detalhamento", ressaltou.

Segundo Pimenta, os integrantes da CPI deverão questionar exaustivamente o publicitário para que ele possa esclarecer todas as movimentações financeiras realizadas desde 1998. "Isso para que nós possamos compreender na totalidade desde quando esse esquema funciona, quem foram os beneficiados, quem são os setores da sociedade que financiaram o chamado valerioduto", afirmou o vice-presidente da CPI.

O deputado disse que a assessoria jurídica de Marcos Valério não solicitou à CPI que o depoimento seja realizado a portas fechadas. "Será uma sessão pública e se ele ou seus advogados quiserem prestar alguma informação que considerem relevantes para a investigação, e o fato de esta informação ser tornada pública possa ser considerado algo que prejudique a investigação, não haverá nenhum problema para que ele possa prestar essa informação em caráter reservado", disse Pimenta.

O advogado do empresário, Marcelo Leonardo, que também representa Cristiano Paz, disse estar providenciando habeas corpus para proteger o sócio de Marcos Valério na empresa SMP&B. Paz vai depor quarta-feira (10) na CPI da Compra de Votos.