A oito meses das eleições, a disputa política entre o PT e o PSDB na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios fica a cada dia que passa mais acirrada e obrigou hoje a cúpula da comissão a adiar para a próxima semana uma reunião administrativa que deveria votar requerimento com a convocação do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. A convocação de Bastos é uma reivindicação dos partidos de oposição e uma resposta ao depoimento marcado para amanhã (15) do ex-diretor de Engenharia da empresa Furnas Centrais Elétricas Dimas Toledo.

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Além de Toledo, o PT quer marcar o depoimento do suposto lobista mineiro Nilton Monteiro, que teria entregue à Polícia Federal (PF) a lista com o nome de 156 políticos, principalmente do PSDB e do PFL, que teriam recebido recursos de caixa dois na campanha de 2002. Essa lista foi supostamente feita pelo ex-diretor de Furnas. O presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), tentou negociar com a oposição o depoimento ainda esta semana do lobista. Mas foi malsucedido.

"Sou abertamente contra a vinda do Nilton Monteiro. É um sujeito que tem um histórico de produção de listas falsas", argumentou o secretário-geral do PSDB, deputado Eduardo Paes (RJ). "A reunião ia se transformar numa briga de traz ministro da Justiça, trás Nilton Monteiro. Ia ser uma discussão estéril e por isso, adiamos a sessão para votar requerimentos para a terça-feira (21) que vem", explicou o relator da comissão, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). "Estamos a caminho para um briga política na CPI", completou.

"Se houvesse reunião administrativa haveria um bate-boca e ninguém a chegaria a um consenso", observou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). "Estamos fazendo uma análise detalhada dos requerimentos e vamos avaliar a necessidade de depoimento de Nilton Monteiro depois do depoimento do Dimas Toledo", afirmou Amaral.

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Os integrantes da CPI apostam que depoimento Toledo amanhã na CPI deverá servir de palco para disputa entre o PT e o PSDB na corrida presidencial. No centro da polêmica, a discussão sobre autenticidade de lista, supostamente assinada por Toledo, com o nome de 156 tucanos e pefelistas que teriam tido as campanhas financiadas por recursos de caixa dois.

"Está se aproximando a campanha presidencial e é evidente a contenda entre PT e PSDB. Essa lista pode colocar um partido em uma situação diferenciada. Hoje o PSDB está sob essa dúvida e quer afastá-la. Agora essa lista pode ser um balão de ensaio e temos de dar validade comedida a ela", argumentou Serraglio. "Evidentemente que há um jogo por trás disso, ainda mais quando tem um instituto de pesquisa dizendo que o Lula está ganhando. Essa lista pode ser um instrumento utilizado para minimizar a força de um partido", afirmou o relator da CPI. A expectativa de integrantes da CPI é que Toledo repita amanhã o depoimento dado na sexta-feira (10) à PF. O ex-diretor de Furnas disse que a lista é falsa.

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