A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios trata como segredo de Estado a descoberta de nomes de assessores de deputados que teriam recebido dinheiro de uma corretora supostamente envolvida no esquema de perdas e ganhos dos fundos de pensão. A descoberta pode envolver até dez novos nomes de deputados e revelar que alguns parlamentares da base governista recebiam dinheiro oriundo de alguns fundos de pensão, e não apenas do esquema operado pelo publicitário Marcos Valério de Souza em parceria com o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.

A nova lista está sendo tratada de forma cautelosa e tem sido mantida sob sigilo absoluto. "Nós já descobrimos alguns assessores e agora estamos, cuidadosamente, checando os CPFs. Já temos 80% de certeza do envolvimento de um número que pode chegar até dez deputados. Mas só vamos revelar algum nome quando tivermos 100% de certeza", disse um dos investigadores da CPI dos Correios. O sub-relator de fundos de pensão da CPI, ACM Netto (PFL-BA), disse que não comenta dados sob sigilo.

A corretora chamou atenção ao entrar com um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir a quebra de seu sigilo bancário, como tinha requerido a CPI. Depois de acirradas disputas judiciais, o sigilo acabou liberado. A partir disso, a CPI identificou um movimento estranho de alguns deputados, que passaram a ter interesse nos detalhes das informações bancárias. Descobriu-se, então, que o assessor de determinado deputado tinha realmente recebido um montante da corretora.

Como conseqüência, os técnicos da comissão iniciaram uma operação pente-fino para ver se encontravam outros assessores. Encontraram, mas estão guardando os resultados da investigação a sete chaves, porque ainda querem fazer uma rechecagem das informações para que não ocorra nenhum erro. "Nós não podemos errar", observou um dos investigadores.

Em outro braço da investigação, a CPI dos Correios descobriu novos saques no valerioduto, feitos por um ex-assessor da Secretaria de Comunicação do governo e por um deputado que já está sendo processado pelo Conselho de Ética. "São suspeitas que ainda não estão fechadas e o presidente da CPI, Delcídio Amaral, está concentrando as informações para divulgá-las no momento oportuno", disse o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ).

Até aqui, a CPI dos Correios tinha listado 18 envolvidos com o chamado mensalão, que foram submetidos ao Conselho de Ética da Câmara. Uma vez confirmados, os novos nomes também poderão ser encaminhados ao conselho.