O ex-assessor da Casa Civil da Presidência da República Waldomiro Diniz está com depoimento marcado para quinta-feira (11) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a utilização das casas de bingo para lavagem de dinheiro e o envolvimento desse tipo de jogo com o crime organizado. Ele foi exonerado do cargo em fevereiro de 2004, após divulgação de uma fita de vídeo em que aparece pedindo propina ao empresário de jogos Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira.

Waldomiro Diniz foi também acusado de favorecer o empresário quando era diretor da Loterj, em 2001 e 2002, e de ter influenciado a renovação de contrato da empresa de tecnologia Gtech com a Caixa Econômica Federal em 2003, quando já trabalhava na Casa Civil.

Hoje (9) serão ouvidas pessoas ligadas a Waldomiro Diniz e Enrico Gianelli, advogado do escritório que prestava serviços à Gtech: Rogério Buratti e José Luiz do Amaral Quintans. Gianelli é suspeito de ter sido o principal intermediário no processo de contratação de um ex-assessor de Waldomiro, Rogério Buratti, com o objetivo de facilitar a renovação do contrato com a Caixa Econômica Federal.

Buratti foi apontado por ex-diretores da Gtech como intermediário, por indicação de Waldomiro Diniz, nas negociações para renovação do contrato com a Caixa. Em depoimento à CPI dos Bingos, o ex-diretor da empresa Gtech Brasil, Marcelo José Rovai, afirmou que Buratti e Waldomiro queriam propina da Gtech no processo de assinatura dos contratos com a Caixa. Rovai foi um dos negociadores da renovação do contrato entre a empresa e a Caixa em 2003.

José Luiz do Amaral Quintans, funcionário da Caixa que foi cedido à Secretaria de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro, manteve contatos profissionais com o então presidente da Loterj, Waldomiro Diniz. Durante a negociação do contrato da Caixa com a Gtech, ele era gerente de Produtos Lotéricos da instituição.

Amanhã (10), a CPI dos Bingos ouve os sócios da MM Consultoria Jurídica e dministrativa Ltda, empresa aberta pelo advogado Marcelo Coelho Aguiar, em Belo Horizonte. A MM recebeu da Gtech, de dezembro de 2002 a junho de 2003, cerca de R$ 2 milhões por supostos honorários de serviços de advocacia referentes a uma medida cautelar na qual a Gtech também estava representada pela Fischer&Foster Advogados e Sigmaringa Seixas Advogados. Deverão ser ouvidos Marcelo Coelho Aguiar, um dos donos da MM Consultoria, e Walter Santos Neto, sócio de Aguiar e atual representante da empresa.

A CPI dos Bingos, que funciona no Senado, iniciou seus trabalhos no mês passado. O primeiro depoente foi Carlinhos Cachoeira, no último dia 13. Os senadores já aprovaram a quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico de várias pessoas, entre elas Cachoeira e Waldomiro Diniz.