A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Banestado aprovou hoje a criação de uma subcomissão com o objetivo de ouvir o depoimento de João Arcanjo Ribeiro, o Comendador, que se encontra preso em Montevidéu, Uruguai. A decisão depende, porém, de entendimentos com os Ministérios da Justiça e das Relações Exteriores, para possibilitar a ida dos parlamentares para ouvir o preso sobre o uso de contas CC-5 pelo crime organizado para lavagem de dinheiro e remessa ilegal de divisas.

Em outro requerimento, dentre os 41 que foram aprovados na sessão de hoje, foi aprovado o convite para depoimentos do procurador da República, José Pedro Taques, e do juiz federal, Julier Sebastião da Silva, que atuaram nas investigações sobre o crime organizado no Mato Grosso, que tinha como um dos principais cabeças justamente o Comendador.

A comissão decidiu ainda que toda a documentação recebida via acordo de informações entre Brasil e Estados Unidos, sobre as investigações das atividades ilícitas de João Arcanjo Ribeiro, será encaminhada ao procurador José Pedro Taques, para complemento de suas investigações.

A comissão adiou a decisão sobre requerimento da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) com o objetivo de pedir a quebra de sigilos telefônico, bancário e fiscal do ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, de sua esposa, Silvia Lutfalla Maluf, e dos parentes Flávio, Ligia, Lina, Otávio e Jacqueline Maluf. Pessoas ligadas à construção da avenida Águas Espraiadas e do túnel Ayrton Senna, da época da gestão de Maluf na Prefeitura de São Paulo, no entanto, terão seus sigilos quebrados por decisão da comissão.

Ainda com relação às irregularidades na construção da avenida e do túnel, foi aprovado requerimento de convocação do empresário Murilo Mendes, da Construtora Mendes Júnior, e adiada a decisão sobre convocação do presidente da empreiteira OAS, César de Araújo Mata Pires. Segundo o relator da comissão, Deputado José Mentor (PT-SP), a convocação do presidente da OAS vai depender justamente do depoimento de Murilo Mendes.

A comissão aprovou também a criação de uma subcomissão para ouvir, no Rio de Janeiro, os empresários Alexandre Martins e Reinaldo Pitta, envolvidos no caso do ?Propinoduto?, que estão presos por decisão da justiça, em vista de denúncia recente de que os dois usaram o mesmo esquema de contas CC-5, montado a partir da agência do Banestado em Foz do Iguaçu (Paraná), na fronteira com o Paraguai.

A comissão aprovou, ainda, a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de ex-diretores do extinto Banco Araucária, do Paraná, também usado no esquema de envio ilegal de divisas por meio de contas CC-5 Alberto Dalcanale Neto e Ruth Whately Bandeira de Almeida, bem como do ?doleiro? Chaia Mograbi, que teria movimentado US$ 56 milhões por meio de contas CC-5 e seria responsável por presentear com um carro a Nicéia Camargo, ex-esposa do ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta.

Por decisão do relator José Mentor, foi adiada a decisão sobre requerimentos do líder do PSDB no Senado, Artur Virgílio (AM), de convocação, para depor perante a comissão, do presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb Lima, e do diretor de política monetária do Banco Central, Luiz Augusto de Oliveira Candiota. Segundo o relator, os dois encaminharam correspondência justificando depósitos no Citibank das Ilhas Maurício, pelo fato de terem sido funcionários do banco, e que deverão encaminhar documentação para comprovar suas alegações.

O calendário de depoimentos da comissão para a próxima semana prevê que serão ouvidos, na terça-feira (17), Nicéia Camargo, na quarta-feira (18), o contador do Banestado Eraldo Ferreira e na quinta-feira (19), o ex-governador do Paraná, Jaime Canet Júnior, e o ex-presidente da Unimed, José Ricardo Savioli.

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