CPI do Banestado gera briga entre José Mentor e Arthur Virgílio

Brasília, 23 (AE) – A CPI do Banestado foi palco hoje de um bate-boca entre o relator, deputado José Mentor (PT-SP), e o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM). O tucano acusou o petista de manobrar para evitar a convocação do ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf e do ex-presidente da Transbrasil Antonio Celso Cipriani, supostamente ligado ao PT. “Não gostaria de ver nenhum acusado de falcatruas escapar desta CPI”, afirmou Virgílio. Após lembrar que “há indícios contra ambos”, o líder lembrou que “Cipriani tem como advogado Roberto Teixeira, amigo pessoal do presidente Lula”.

“V. Excia está fazendo acusações. V. excia tem provas? Tem alguma prova de que alguém roubou?”, rebateu Mentor. Em tom ríspido, eles trocaram acusações por cerca de 15 minutos. Mentor alega que os tucanos querem evitar que o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco seja convocado novamente. Já o líder e o presidente da CPI, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), acusa o relator de tentar favorecer pessoas ligadas ao governo e ao PT. Quanto a Maluf, segundo Antero, ele estaria sendo “preservado num jogo que, num eventual segundo turno, pode favorecer a prefeita Marta Suplicy nas eleições”.

Antero acusou ainda o governo de obstruir a remessa à CPI de documentos de bancos suíços contra o ex-prefeito, por intermédio do Ministério da Justiça. Para o relator, o senador deveria “conter suas palavras”. Ele disse que não poderia concordar com a votação de requerimentos sem o quorum mínimo necessário. Estavam presentes nove parlamentares. E em outras ocasiões, houve, sim, acordo para chamar depoentes. Em conversa com jornalistas, no dia anterior, o deputado negou que esteja partidarizando o encaminhamento dos trabalhos da comissão.

Ele disse que sua intenção é a de não ouvir supostos envolvidos em irregularidades sem dispor de documentos que comprovem a acusação. O relato de seus planos deixa poucas perspectivas para a CPI. Primeiro, porque ele quer priorizar denúncias aparentemente bem encaminhadas pela Polícia Federal, como é o caso do esquema de propina descoberto em Manaus e as ações sob alvo da força-tarefa do Ministério do Paraná.

Depois, porque os prazos das ações esperadas por ele são tão grandes que seriam necessários vários anos para a CPI concluir seu trabalho.

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