O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve, em sua última reunião, a projeção de reajuste zero para os combustíveis, neste ano. "Este cenário tem sido mantido por encontrar suporte em avaliações que sublinham o papel de elementos especulativos nas oscilações recentes de preços que poderiam retroceder em breve, mesmo com a inevitável permanência de alguns focos importantes de tensão geopolítica", afirma o texto da ata da última reunião do Copom, divulgada há pouco pelo Banco Central.

Apesar disso, o documento do Copom destaca que as elevações de preços do petróleo no mercado internacional tem provocado um aumento dos riscos de alta dos combustíveis, ainda neste ano. "Independentemente do que ocorra com os preços domésticos da gasolina, deve-se sempre ter em conta que a elevação dos preços internacionais do petróleo desde já representa um fator de risco para a trajetória futura da inflação, dado que se transmite à economia doméstica, por intermédio dos seus efeitos sobre os preços de insumos, derivados do petróleo, bem como sobre as expectativas dos agentes econômicos", destaca a ata.

O documento também ressalta que a alta dos preços do petróleo se constitui atualmente como a principal preocupação do que diz respeito ao ambiente econômico internacional. "O recrudescimento recente reforça temores de que esses preços possam atingir picos mais elevados do que se contemplava até há pouco, como cenário mais provável e que mesmo depois de uma eventual reversão essas máximas sustentem-se por mais tempo em um nível acima do que vinha sendo prognosticado", afirma a ata. O Copom, ao mesmo tempo, avaliou que os riscos em relação ao comportamento do petróleo no mercado internacional são maiores agora do que na reunião de julho. Apesar disso, a ata do Copom ressalta que o cenário externo continua favorável.