Brasília (AE) – O mercado financeiro chegou à véspera da reunião mensal do Comitê de Política Monetária (Copom), que começa amanhã (18), com a aposta firme de que os juros serão reduzidos em 0,50 ponto porcentual. A taxa, com isso passaria dos atuais 19,50% para 19% ao ano e atingiria seu menor nível desde fevereiro. É o que mostra a pesquisa semanal Focus, feita pelo Banco Central (BC) com mais de uma centena de instituições financeiras.

As apostas são de cortes iguais em novembro e dezembro, de forma que a taxa Selic chegaria ao final do ano em 18%. A taxa continuaria caindo ao longo de 2006, pelas projeções do mercado. No final de 2006 ela estaria em 16% e a partir daí o Copom poderia começar a testar o que seria, segundo os especialistas, a taxa real de juros "de equilíbrio", ou seja, aquela taxa que não atuaria nem para reduzir nem para aumentar a inflação. Para alguns analistas, o número adequado seria 11%. Outros argumentam que este porcentual poderia já estar abaixo dos 8%. Os analistas concordam que caberá ao Copom testar os limites e descobrir na prática quais serão os juros neutros.

As expectativas de mercado para a inflação deste ano, contidas na mesma pesquisa, ficaram em 5,22%. O porcentual é apenas 0,12 porcentual maior que o objetivo de 5,1% perseguido pelo Copom neste ano. A estimativa, no entanto, já se encontra dentro do intervalo de tolerância da meta central de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) neste ano.

As previsões de inflação para 2006, por sua vez, estacionaram na marca dos 4,60%. O porcentual é 0,10 ponto porcentual maior que os 4,5% da meta central de inflação fixada pelo governo. A meta de 2006 terá um intervalo de tolerância de apenas 2 pontos porcentuais para cima ou para baixo. Neste ano, o intervalo foi fixado em 2,5 pontos porcentuais.

Além do juro menor, a pesquisa aponta para expectativas de um crescimento econômico de 3,31% neste ano e 3,50% em 2006. A estimativa para este ano, apesar de ter crescido 0,05 ponto porcentual nas últimas quatro semanas, ainda é inferior aos 3,4% estimados pelo BC no Relatório de Inflação divulgado ao final de setembro.

A dívida líquida do setor público terminaria este ano, pelos dados do levantamento do BC, em 51,50% do Produto Interno Bruto (PIB) e fecharia 2006 em 50,50% do PIB.