A Copel se prepara para iniciar a operação de lançamento de debêntures no mercado, visando captar R$ 600 milhões. Os recursos serão destinados à liquidação, em condições financeiramente mais vantajosas, de outros compromissos financeiros com vencimento nos primeiros meses do ano que vem. ?Vamos melhorar o perfil do nosso endividamento liquidando compromissos de curto prazo?, justifica o diretor de Finanças e de Relações com Investidores da estatal, Paulo Roberto Trompczynski. ?A idéia é tirar proveito da receptividade do mercado a papéis emitidos pela Copel para trocar as dívidas hoje existentes por outra mais barata?.

Sem citar números, o diretor informou que as novas debêntures oferecerão ao investidor taxas de remuneração menores que as garantidas nos papéis atualmente em circulação. ?A lógica do mercado trata grau de risco e margem de lucro como variáveis diretamente proporcionais?, ensina Trompczynski. ?Quanto menor o risco do investimento, menor será a remuneração do aplicador, e o risco de investir na Copel caiu enormemente depois que a empresa conseguiu, com orientação e apoio do governador Roberto Requião, resolver o grande problema dos contratos de compra de energia?.

Autorização

Nesta semana, o Conselho de Administração da Copel autorizou a diretoria da empresa a dar início à operação de emissão de debêntures, que será coordenada no mercado pelo Banco do Brasil. Em abril do ano passado, a estatal obteve autorização para captar até R$ 1 bilhão em debêntures e lançou no mercado papéis no valor de R$ 400 milhões. ?A diferença, no importe de R$ 600 milhões, foi preservada como crédito para ser utilizado no caso de necessidade ou para aproveitar um momento favorável do mercado, como é o caso?, argumenta o diretor de Finanças da Copel.

Com essa operação, o objetivo da Copel é liquidar duas séries de debêntures emitidas no ano de 2002, com vencimento previsto para fevereiro de 2007. ?Também vamos quitar um terço das debêntures emitidas em abril e maio de 2005, quando foram captados os já mencionados R$ 400 milhões?, finaliza Paulo Trompczynski.

A dívida total da Copel consolidada nas demonstrações financeiras encerradas em 31 de março é de R$ 1,9 bilhão, já incluídas as debêntures de emissão da Elejor ? Centrais Elétricas do Rio Jordão, empresa controlada pela Copel com 70% de participação e que é responsável pela construção e exploração das usinas de Santa Clara e Fundão. A dívida da Copel corresponde a 33,7% do seu patrimônio líquido, percentual considerado pelos analistas como bastante baixo, que vêem na empresa grande margem de alavancagem.