O reservatório da Usina Santa Clara, região centro-sul do Estado, já começou a ser formado. A hidrelétrica, com 120 megawatts de potência, está sendo construída pelo o Governo do Paraná e a Copel no Rio Jordão, próximo a Guarapuava. Segundo cálculos que levam em conta as vazões históricas do rio, o lago deve demorar 60 dias para ficar cheio, acumulando 431,2 milhões de metros cúbicos de água, numa área com 20 km quadrados de superfície.

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Nesta semana, decorridos pouco mais de dez dias do fechamento das comportas, cerca de 5% do volume total previsto encontrava-se represado ? reflexo da estiagem que vem mantendo as vazões em níveis bastante reduzidos. Válvulas instaladas ao pé da barragem garantem a passagem de uma vazão mínima de 6,5 metros cúbicos de água por segundo para evitar que o trecho do rio abaixo do maciço seque, enquanto se forma o reservatório.

Animais

Paralelamente, 70 técnicos e especialistas atuam no salvamento e resgate de animais que ficam ilhados durante o enchimento do lago. Equipados com barcos, veículos, rádios e sistema de localização por satélite (GPS), os técnicos têm encontrado e recolhido sobretudo aranhas e serpentes. Pequeno roedor característico da região, uma cuíca foi o maior espécime resgatado até o momento.

O represamento do Jordão foi feito com sucesso numa operação executada em poucas horas. Com auxílio de um guindaste, duas comportas de aço passaram a bloquear a entrada do túnel artificial por onde o rio corria desde agosto de 2003. O desvio foi feito para permitir que fosse construída a barragem.

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Testes

Os equipamentos de geração da Usina Santa Clara estão em fase final de instalação e alguns deles já estão sendo testados. Na segunda quinzena de junho, devem ter início os ensaios com produção de energia. ?Pretendemos concluir os ajustes e realizar todas as simulações operacionais necessárias até meados de julho, mantendo o cronograma que prevê a entrada em funcionamento comercial da usina no final daquele mês?, observa o presidente da Elejor, Sérgio Luiz Lamy.

A Elejor é uma empresa controlada pela Copel e que detém a concessão para construir e operar as usinas Santa Clara e Fundão, com 120 megawatts de potência cada e situadas no Rio Jordão, a 12 km de distância uma da outra. Integram o complexo energético, ainda, duas pequenas hidrelétricas incorporadas às barragens, que somam 5,9 megawatts. Todo o conjunto representa potencial para o atendimento ao consumo de uma cidade com 600 mil habitantes, absorvendo investimentos de R$ 480 milhões. Esse total inclui obras civis, máquinas, equipamentos, desapropriações e o desenvolvimento de 33 programas sociais e ambientais recomendados pelo Rima (Relatório de Impactos sobre o Meio Ambiente) dos empreendimentos.

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Esta é, individualmente, a maior obra da administração do governador Roberto Requião, que quer assegurar à população paranaense o direito de preferência aos benefícios da energia a ser gerada por essas usinas. Para garantir essa primazia, o Estado do Paraná, através da Copel, assumiu em outubro do ano passado o controle da Elejor, passando a deter 70% de participação no capital da empresa.

Reservatório

Para formar o reservatório da Usina Santa Clara, a Elejor precisou adquirir 2.366 hectares de terras, atingindo parcialmente 27 propriedades. Seis famílias que habitavam a região de alagamento foram transferidas e reassentadas no município de Foz do Jordão, em lotes dotados de casa de alvenaria, barracão, áreas de pastagem e plantio e serviços como energia elétrica e água encanada.

O programa de aquisição das áreas a serem inundadas pelo reservatório da Usina Santa Clara e o de reassentamento de famílias atingidas são dois dos 17 projetos de cunho sócio-ambiental alinhados no Rima do empreendimento que estão em andamento ou programados. A Usina Fundão, que começa a operar em 2006, tem 16 projetos previstos.