O PMDB, apesar de arrastar a pecha de partido em processo de desconstrução, visto sua atabalhoada inserção na reforma ministerial ainda não concluída pelo presidente Lula, mesmo desnudando sua profunda divisão interna, conseguiu ampliar sua presença na Esplanada, com a indicação de três ministros.
As conversas entre Lula e os senadores Renan Calheiros e José Sarney sobre as indicações do partido para o ministério foram concluídas na noite de terça-feira, com a definição do senador Hélio Costa para as Comunicações, o deputado Saraiva Felipe para a Saúde, e o atual presidente da Eletronorte, engenheiro Silas Rondeau, para as Minas e Energia.
Houve um certo mal-estar produzido pela declaração de Karina Somaggio, que seu ex-patrão Marcos Valério teria tido encontros em Brasília com o deputado José Borba, líder peemedebista na Câmara.
Confrontado com a informação, Borba admitiu em nota distribuída à imprensa que tais encontros, com a participação de dirigentes do próprio PT, tinham a finalidade de firmar acordos em torno da escolha das pessoas a serem nomeadas para cargos de direção no governo federal.
De amigo pessoal do tesoureiro licenciado do PT, operador do mensalão, avalista e devedor solidário do empréstimo de R$ 2,4 milhões tomado pelo partido do BMG, Marcos Valério agora passa a ser citado, quem o afirma é o deputado José Borba, como integrante das rodadas de entendimentos visando nomeações para a administração federal.
Lula não queria seguir para Edimburgo, Escócia, onde está participando como convidado da cúpula do Grupo dos Oito, sem superar o incidente e anunciar os novos ministros, deixando para o regresso a conclusão da reforma. Devem sair também – pelo menos – Aldo Rebelo, Romero Jucá, Ricardo Berzoini, Miguel Rosseto e Olívio Dutra.
O primeiro contemplado na recomposição do governo entrou apenas com parte da bancada federal na base, mas não conseguiu incluir na bagagem o apoio irrestrito do presidente do diretório nacional e dos governadores, que preferem ver o partido engajado no projeto de governo, não em troca de cargos na máquina administrativa. Uma diferença que o presidente saberá contornar, por certo, à luz do bom senso.