Controle de gastos vai além de superávit primário

Rio – Cumprir a meta de superávit primário de 4 25% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano não é suficiente para evitar que a situação fiscal do setor público piore, segundo economistas disseram à Agência Estado. "Mesmo com o superávit primário, o aumento dos gastos correntes preocupa e deteriora o quadro fiscal", afirmou a economista-chefe da Mellon Global Investments – Brasil, Solange Srour Chachamovitz.

Ela, a chefe da Assessoria Econômica da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Luciana Marques de Sá, e a especialista em gastos públicos Mônica Mora, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), destacam, em particular, que os gastos permanentes do governo federal, como os de previdência e pagamento do funcionalismo, estão crescendo.

Tanto Solange quanto Luciana acham que se os gastos correntes não foram cortados, esse aumento de despesas podem levar a um aumento de carga tributária. Seria a conseqüência da necessidade de se ter mais dinheiro para pagar as contas, já que o governo não quer aumentar a dívida pública como proporção do PIB nem gerar inflação. As duas economistas consideram fundamental que o próximo governo, seja qual for, aproveite o seu período inicial para promover reformas fiscais. "Se não for no início do governo não sai. Depois fica muito difícil", disse a economista da Firjan.

Mônica Mora acha que a carga tributária não vai subir. "Há limites para o aumento da carga tributária", disse. Ela observa também que no ano passado, o superávit primário do setor público foi de 4,83% do PIB e este ano deve ficar na meta, de 4,25% do PIB. A diferença de 0,58% do PIB significa um montante de recursos para cobrir o acréscimo de gastos. Para ela, é importante melhorar a qualidade da arrecadação e dos gastos públicos, mas qualquer reforma nessas áreas é difícil politicamente. A economista do Ipea observa que boa parte dos gastos do governo federal é com transferências para Estados e municípios e com a área social, como saúde, educação e previdência.

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