A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao que tudo indica, está com seu prestígio intocado junto ao presidente da República. Ciosa do controle do sistema energético, tendo em vista a desmesurada pressão política da base para a nomeação de apadrinhados, Dilma venceu a disputa pela indicação do presidente da Eletrobrás.

Quem estava de olho gordo no cargo para um de seus inúmeros afilhados era – como sempre – o senador José Sarney (PMDB-AP). A ministra-chefe da Casa Civil fez prevalecer os critérios técnicos e a escolha recaiu sobre Flávio Decatt, ex-presidente da Eletronuclear, um dos nomes mais respeitados do setor energético nacional.

O presidente Lula tratou de apaziguar o arraial peemedebista, convocando para uma conversa o ministro Edison Lobão, da qual também participou José Múcio Monteiro, da Articulação Institucional. O governo quer evitar atritos com o maior partido da base, sobretudo com Sarney, mas também tirou de suas cogitações imediatas ceder todos os cargos reclamados pelo PMDB nas empresas do sistema elétrico.

Quem também se referiu ao problema foi o deputado Michel Temer (SP), presidente da executiva nacional do partido, preocupado com a demora das nomeações. Temer resumiu os queixumes da direção partidária: ?O governo tem de agir com clareza. Se pode, diga que pode; se não pode, diga que não pode?.

Lula trabalha para reduzir o nível de atrito ao limite mínimo, consciente do estrago que o governo terá caso o contencioso cresça na base. Além disso, em outubro haverá eleições municipais e o PT sinaliza desde já estar aberto aos acordos com os partidos aliados. Por enquanto o Planalto tem o controle da situação.