O presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Proteção aos Vôos, Jorge Botelho, disse que a categoria reivindica uma reestruturação completa do sistema de controle aéreo no País e, dentro disso, a criação de uma carreira típica de Estado. "Dessa forma, haveria uma isonomia de contratação", comentou. Ele participa de uma sessão conjunta das comissões de Infra-Estrutura e de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado que discute hoje a crise na aviação civil.

Segundo Botelho, existem três regimes diferentes de contratação dos controladores de tráfego aéreo. Parte deles são militares, que ganham entre R$ 1.600 e R$ 4 mil. Outra parte é civil, mas segue o regime estatutário por serem servidores da União, com uma média salarial de R$ 3 mil. Uma terceira parte são civis funcionários da Infraero, que, como empresa pública, contrata por meio da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), com uma média salarial de R$ 2 mil. Segundo Botelho, apesar dos baixos salários, a categoria não reivindica gratificações imediatamente.

O presidente do Sindicato criticou ainda a abertura do inquérito policial militar (IPM) na semana passada pela Aeronáutica para investigar se houve ocorrência de crimes militares nos últimos dias com a operação padrão dos controladores. "Como os senhores sabem, eu aqui não represento os profissionais militares e sim os civis. Mas, ainda assim, gostaria de registrar que não vejo qualquer motivo para que eles (os militares) sejam punidos porque ninguém fez greve ou quebrou a hierarquia militar", disse.