O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, informou ontem que estuda três medidas visando à redução dos juros bancários. "Uma vai ampliar o acesso à Central de Risco, fazendo com que cubra um universo maior de clientes bancários. Isso permitirá que um número maior de clientes possa negociar crédito com bancos diferentes daqueles com quem trabalha", explicou. A central é um banco de dados no BC ao qual as instituições podem recorrer para obter informações a respeito da vida financeira dos correntistas.
A segunda medida, segundo Meirelles, vai facilitar a transferência de dinheiro da folha de pagamento de um banco para outro. "A terceira medida em estudo dará maior poder de escolha para o cliente quando for negociar a tomada de crédito consignado." Essa terceira medida deverá permitir ao cliente levar o seu cadastro de um banco para o outros. Hoje, o banco é que é dono do cadastro do cliente.
Segundo Meirelles, essas medidas poderão diminuir os custos dos bancos e aumentar a competitividade do sistema bancário ao dar maior liberdade ao cliente para escolher o banco. O cliente poderá, por exemplo, transferir o dinheiro da folha de pagamento para o banco de sua preferência. "São medidas que darão maior poder de negociação ao cliente, que, em última análise, beneficiam o sistema como um todo porque ficará mais competitivo devendo propiciar uma queda nos spreads bancários", explicou Meirelles.
Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, em Montevidéu, onde participa da 10ª reunião de presidentes dos BCs dos países do Mercosul e associados, Meirelles explicou que todas essas medidas estão em estudo e não têm prazo para serem anunciadas. Segundo o presidente do BC, as medidas são de dois grupos distintos: um visa a aumentar o poder de barganha do cliente e o outro, a reforçar a segurança do crédito. "Esse é o direcionamento que pode indicar o aumento da competitividade", explicou.