O consumo formiga de materiais de construção para fazer um cômodo a mais na casa, erguer uma laje e até construir a própria moradia, sem a intermediação de construtoras, deverá crescer neste ano 8% e atingir R$ 37,3 bilhões.

É a maior cifra em 12 anos registrada pelas revendas de materiais de construção, que incluem desde aquela pequena loja de bairro até home centers. Queda de preço, redução de impostos sobre os materiais básicos e linhas de financiamento com prazos longos sustentam esse desempenho.

?A última vez que tivemos um crescimento dessa magnitude foi em 1998?, diz o presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), Cláudio Conz. Em 2005, as vendas de materiais de construção cresceram cerca de 3% em relação ao ano anterior.

O consumo formiga parece pequeno só no nome. Pesquisa da consultoria Booz Allen Hamilton revela que 77% das unidades habitacionais produzidas no País são feitas em regime de autogestão. Como a maioria dos brasileiros ainda não pode comprar um imóvel financiado, a própria pessoa, com a ajuda dos vizinhos, parentes ou contratando um pedreiro, faz mais um cômodo, a própria moradia ou reforma a antiga casa.

Só no primeiro semestre deste ano os volumes vendidos no varejo de materiais básicos como cimento e aço aumentaram 12% e 11%, respectivamente, na comparação com o mesmo período de 2005, segundo a Anamaco. ?Isso sinaliza a retomada das obras. A médio prazo, deve ampliar o consumo de materiais hidráulicos e outros itens de acabamento?, observa Conz.

Grandes lojas de materiais de construção como a Dicico confirmam o crescimento de vendas de itens básicos. De janeiro a julho, o faturamento com venda de cimento aumentou 40% na comparação com igual período de 2005, conta o diretor de Marketing, Carlos Corazzin. No caso do ferro, usado principalmente para fazer estruturas para colunas e lajes, o acréscimo foi de 25% no período. Já as vendas de materiais de acabamento cresceram 10%.

?Ampliamos o número de fornecedores de lajes pré-fabricadas?, diz Corazzin. Ele explica que a demanda por esse tipo de produto sob encomenda cresceu. Há pouco, era um item inexpressivo nas vendas da rede. Levando-se em conta o mesmo número de lojas, o faturamento total da revenda cresceu 15% entre janeiro e julho deste ano ante igual período de 2005.

Dados acumulados do setor mostram que até julho as revendas faturaram 5,5% a mais do que no mesmo período de 2005. Só em julho, as lojas venderam 14% a mais ante junho, e 7% na comparação com o mesmo mês de 2005, segundo a Anamaco.

No primeiro semestre, a produção industrial de insumos da construção civil aumentou 4,7% em relação ao mesmo período de 2005, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na análise da economista Amaryllis Romano, da Tendências Consultoria Integrada, esse desempenho sustenta a previsão de acréscimo de 5,1% no ano.