O secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Luiz Eduardo Cheida, acompanhou o processo final de enchimento do reservatório da usina Santa Clara, que está sendo construída no município de Candói, região Centro Oeste do Estado, na quarta-feira (08). A Secretaria, por meio do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), determinou a realização de 33 programas ambientais para evitar danos durante o processo de instalação da usina e que estão sendo cumpridos.

O IAP vem fiscalizando os programas executados que incluem, por exemplo, monitoramento da qualidade da água, monitoramento do clima, salvamento do patrimônio arqueológico, reassentamento de famílias, constituição da mata ciliar, reserva legal, limpeza do reservatório (desmate) e monitoramento da encosta entre outros. ?Esta é uma experiência modelo na área de geração de energia, na qual todo o processo foi monitorado pelo IAP, o que torna um empreendimento ambientalmente correto?, disse o secretário Cheida.

A usina que pertence ao grupo Elejor ? Centrais Elétricas do Rio Jordão ?, subsidiária da Copel, gera atualmente cerca de mil empregos diretos. Depois de concluída, a usina vai gerar energia suficiente para alimentar uma cidade de 600 mil habitantes por dia e sua construção seguiu rigorosos critérios ambientais, obedecendo sempre o código florestal.

De acordo com o coordenador de programas Ambientais da Elejor, o engenheiro florestal Luiz Eduardo Wolff , houve preocupação de respeitar o período de florada da vegetação existente. ?Foram retiradas as sementes e produzidas 200 mil mudas para o plantio, e cerca de 90 quilômetros de mata ciliar fazem parte do programa de proteção da margem do reservatório?, informou.

Segundo ele, a Santa Clara manterá Área de Preservação Permanente (APP) na própria área da usina ? diferente de outros modelos, em que a APP é feita em outras propriedades. A área da usina Santa Clara é de 2.115 hectares e a barragem possui 72 metros de altura. Dentro de dez dias o reservatório estará completamente cheio e pronto para a geração de energia.

Faz parte ainda da medida compensatória a construção de um centro de educação ambiental na região e um parque estadual na área lindeira, que deverão estar prontos até a metade do próximo ano. ?Esta é uma preocupação ambiental do governo que irá nortear o licenciamento para instalação de outros empreendimentos futuramente?, disse Cheida.

Fauna

O monitoramento da fauna existente no local foi uma das primeiras atividades a ser realizada, para evitar possível perda de animais. Após esta etapa, iniciou-se o processo de desmate da área para evitar que a madeira submersa venha a comprometer a qualidade da água posteriormente. O desmate foi feito de forma que houvesse fuga natural da fauna e a madeira cortada foi aproveitada economicamente pela população local, de acordo com o que foi definido em audiências públicas.

Aproximadamente 30 proprietários rurais receberam recursos pela desapropriação que ocorreu de forma positiva. Após o processo de desmate deu-se início ao processo de resgate da fauna existente, que atualmente encontra-se em fase final. O Ibama concedeu licenciamento que permite retirar os animais e levar para uma base de fauna. Neste local as espécies são catalogadas e enviadas para instituições cadastradas antecipadamente e indicadas pelo Ibama. Foram encontradas diversas espécies de répteis, anfíbios e pequenos mamíferos ? em sua grande maioria ratos.

De acordo com o médico veterinário responsável pelo resgate da fauna, Moacir Monteiro, isso se deve ao trabalho inicial que fez com que animais de grande porte se deslocassem sozinhos para áreas de mata. Segundo ele, cerca de 70 pessoas – entre universitários e especialistas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) estão trabalhando no processo de preservação da fauna que prevê modernos equipamentos de segurança para o recolhimento dos animais. ?A maior parte dos animais catalogados são invertebrados como insetos, aranhas, lacraias e animais de pequeno porte?, disse Monteiro.