As gráficas de pequeno e médio portes que encontram dificuldades em conseguir financiamento para adquirir máquinas novas vão ter a oportunidade de participar do Consórcio Abimaq de Máquinas Gráficas. A iniciativa foi lançada ontem pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), durante a Feira Internacional de Papel e Indústria Gráfica (Fiepag), que acontece até sábado no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo.

De acordo com o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Equipamentos Gráficos (CSMEG) da Abimaq, Miguel Rodrigues Neto, uma das grandes dificuldades das gráficas de pequeno e médio porte – que representam quase 90% do setor no Brasil -é justamente conseguir financiamento. “Nosso custo (da Abimaq) é mais baixo do que do Finame”, conta Neto, referindo-se ao programa de financiamento do governo federal. Com o consórcio, explica ele, o pequeno empresário tem a chance de se programar para comprar máquinas mais avançadas.

Como em qualquer consórcio, as normas seguem a orientação do Banco Central e não há cobrança mensal de juros, apenas uma taxa de administração fixa e o valor do seguro contra inadimplência, que somam de 0,42% do valor total. A empresa participante também desfruta de maior flexibilidade na escolha do prazo de financiamento e da forma de liquidação do débito. Não é cobrado sinal para garantia de entrega e o contemplado ainda tem a opção de escolher um bem de maior ou menor valor que o sorteado.

A primeira etapa do consórcio será destinada para máquinas e equipamentos cujos preços variam entre R$ 20 mil e R$ 70 mil, e participam cinco empresas: Elenco do Brasil, Radial Tecnograf Máquinas, Máquinas J.A.T.O – as três de São Paulo -, Germetec UV & IR (RJ), e Otiam Equipamentos Serigráficos – a única do Paraná.

Expectativas

Para a gerente comercial e administrativa da Otiam Equipamentos Serigráficos, Denise Isabel da Silva, é grande a expectativa sobre o consórcio lançado ontem pela Abimaq. “É uma ótima alternativa para os dois lados: para quem vende e para quem investe”, afirma. “Pela dificuldade que o mercado vem enfrentando, se você oferecer a oportunidade para o cliente de comprar um equipamento novo sem que ele tenha que desembolsar o dinheiro de uma vez só é uma grande vantagem”, completa.

A primeira etapa do consórcio é formada, explica Denise, por cinco empresas de ramos diferentes. Cada qual tenta vender o máximo de cotas possível para fechar um grupo de cem pessoas. Os sorteios e lances acontecem num prazo mínimo de 30 dias e máximo de 90. “Pelo o que percebemos, acredito que a gente consiga vender as cotas em 30 dias”, prevê. As parcelas serão divididas em até 36 meses.

A Otiam Equipamentos foi criada em 1973 e está instalada em Curitiba. A produção média mensal é de 22 máquinas, com preços que variam entre R$ 2 mil e acima de R$ 200 mil.

Paraná com boas expectativas

Lyrian Saiki

É grande a expectativa de fechamento de bons negócios por parte das empresas do Paraná que participam desde terça-feira da Fiepag. Ao todo, dez empresas do Estado estão presentes, entre fabricantes e distribuidores instalados principalmente em Curitiba e Região Metropolitana.

“Estamos sentindo uma boa aceitação”, revelou Sérgio Bertarelli, da Traço & Cromia, que atua no ramo de peças e suprimentos gráficos. É a primeira vez que a empresa participa da Fiepag. A Traço & Cromia movimentou no ano passado cerca de R$ 1,5 milhão, segundo Bertarelli, e a meta é aumentar as vendas este ano. “A gente aposta sobretudo no setor de peças, principalmente porque já fabricamos quase todas no Brasil, e não é mais preciso importar.”

A empresa alemã Renz Sistemas de Encadernação, que possui depósito de distribuição em Pinhais, também não tem do que reclamar. As três máquinas de perfuração e encadernação expostas na Fiepag foram vendidas já no primeiro dia do evento, ao custo médio de US$ 35 mil cada. Os compradores foram duas gráficas de São Paulo e uma do Paraná. “São as primeiras máquinas totalmente automáticas de perfuração e encadernação. A expectativa de negócios é muito grande”, comentou o gerente comercial Clóvis Magnoni.

Já para Gelson Kopruszinski, diretor da Laserflex Matrizes Gráficas Ltda, com sede em Pinhais, a feira tem mais caráter institucional do que comercial. “Queremos consolidar a marca, os nossos produtos. Não viemos pensando em fechar grandes negócios”, comentou. A Laserflex, segundo Gelson, existe desde 98 e exporta para países como Colômbia, Venezuela, Espanha e Vietnã. No ano passado, as exportações somaram quase US$ 100 mil, enquanto as vendas internas foram de aproximadamente R$ 2 milhões. “Temos a tecnologia de qualquer outro lugar do mundo”, garante Gelson.