A Câmara e o Senado encerram seus trabalhos nesta sexta-feira (21) deixando pendente a questão salarial dos parlamentares, que estará, no entanto, nas negociações das campanhas às presidências das duas Casas no período de recesso. Hoje e amanhã, os deputados e senadores estão envolvidos principalmente com a votação do Orçamento da União para 2007. A Câmara encerrou a sessão de debates.

O reajuste salarial será votado já com o novo Congresso empossado em 1º de fevereiro, com a forte tendência de ficar em 28,4% (R$ 16,5 mil), o que corresponde à reposição salarial dos últimos quatro anos pelo IPCA. O aumento salarial é uma reivindicação dos parlamentares, principalmente daqueles do chamado "baixo clero" – os que têm pouca visibilidade na mídia, e que em período de sucessão na Casa são assediados pelos candidatos.

Tanto o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), candidato à reeleição, quanto o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que quer a vaga de presidente, defenderam o salário de R$ 24,5 mil. Foram obrigados a recuar diante da repercussão negativa da sociedade.

A discussão do reajuste salarial dos parlamentares tomou conta da última sessão deliberativa da Câmara desta legislatura turbulenta, na qual deputados envolvidos com o "mensalão" e a máfia das ambulâncias foram absolvidos. Na sessão de ontem, que se transformou em lavagem de roupa suja, deputados revezaram-se na tribuna para acusar uns aos outros de hipocrisia. A noite terminou, no entanto, em quase agressão física ao presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), por um grupo de vereadores.

Já era quase meia-noite, quando, ao atravessar o Salão Verde, Rebelo foi cercado por vereadores irritados com a não votação da proposta de emenda constitucional que aumenta o número de cadeiras nas câmaras municipais. "O senhor tirou o nosso mandato", gritou o ex-vereador Fernando Júnior (PL) de Taguatinga (DF). "O senhor faz discurso de comunista, mas é a favor da ditadura", gritava outro ex-vereador do grupo. "Não venha com ameaça, que não funciona", respondia Rebelo, enquanto um dos vereadores pegou uma mesa do cafezinho para jogar no presidente da Câmara. A intervenção da segurança da Casa impediu a agressão e a invasão do gabinete de Rebelo.